Depois daquela noite, a casa mudou.Nada havia sido dito, mas tudo estava diferente. O quase beijo se tornara um silêncio pesado, uma presença invisível entre eles. Melina passou a acordar mais cedo. Diogo passou a dormir mais tarde. Quando se cruzavam, era como se ambos fingissem que o outro não ocupava o mesmo espaço.Na cozinha, pela manhã, Melina preparava o café em silêncio. Diogo entrou sem cumprimentá-la, abriu a geladeira, pegou uma garrafa de água.— Bom dia — ela disse, mais por educação do que por vontade.— Bom — respondeu, sem olhar.Aquilo doeu mais do que uma discussão.Melina percebeu que o afastamento não era apenas físico. Era estratégico. Diogo estava se protegendo do único jeito que sabia: fechando-se.No trabalho, ela passou a almoçar com Rafael com mais frequência. Conversavam sobre coisas simples. Filmes. Planos que não envolviam contratos ou obrigações. Com ele, Melina não precisava medir palavras.— Você parece mais leve hoje — Rafael comentou.— Talvez eu est
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