Melina não pretendia confrontá-lo naquela noite.
Chegara em casa com a cabeça cheia demais, o corpo cansado, os pensamentos emaranhados. Tudo o que queria era subir para o quarto, trancar a porta e silenciar o mundo. Mas algo no silêncio da casa a incomodou. Um silêncio denso, diferente.
Havia marcas de água no corredor. Uma toalha jogada sobre a cadeira.
Ela franziu o cenho.
— Diogo? — chamou.
Nenhuma resposta.
Seguiu pelo corredor quase por reflexo. Não bateu à porta do quarto dele. Nunca bateu. Empurrou a porta apenas o suficiente para falar.
E congelou.
Diogo estava de costas, ainda úmido do banho, secando o cabelo com uma toalha. Vestia apenas uma cueca escura. A água escorria pelos ombros, pelas costas, e o movimento distraído do corpo denunciava que ele não fazia ideia de que estava sendo observado.
O tempo pareceu falhar.
Melina sentiu o ar faltar por um segundo. O olhar desceu antes que conseguisse impedir. Foi automático. Instintivo. Humano.
— Melina?
A voz dele a puxou de v