Melina tentou ignorar o incômodo que a acompanhou durante todo o dia.
Não era culpa. Não exatamente. Era uma sensação estranha de deslocamento, como se estivesse ocupando um espaço que já não lhe pertencia por completo. Rafael havia sido compreensivo, mas seu afastamento sutil era evidente. Mensagens mais curtas. Respostas demoradas. Um silêncio respeitoso que doía mais do que cobrança.
No fim da tarde, recebeu uma ligação inesperada.
— Helena convidou você para o coquetel de hoje? — perguntou Rafael, direto.
— Que coquetel? — Melina respondeu, surpresa.
— Da fundação. Diogo vai estar lá — ele disse. — Achei que você soubesse.
O coração de Melina deu um salto involuntário.
— Não, ninguém me avisou — disse.
— Então… talvez seja algo mais restrito — Rafael comentou, com cuidado. — Desculpa, não quis causar desconforto.
Mas já havia causado.
Melina desligou e ficou alguns minutos encarando o nada. Helena. O nome ecoou como um alerta silencioso. Não era novidade que ela orbitava Diogo hav