O afastamento deixou de ser um acordo silencioso e virou hábito.
Melina passou a organizar seus dias de forma a evitar cruzar com Diogo. Acordava antes dele, chegava depois. Ajustava horários, mudava percursos dentro da própria casa, como se cada encontro fosse uma ferida aberta demais para ser tocada.
Naquela manhã, porém, o inevitável aconteceu.
Ela desceu para a cozinha e o encontrou ali, apoiado no balcão, lendo mensagens no celular. O café já estava pronto. O cheiro preencheu o ambiente de forma quase cruel.
— Você fez café — ela comentou.
— Sobrou tempo — respondeu ele.
Ela pegou uma xícara, mantendo distância.
— Vou sair mais cedo hoje — disse. — Tenho reunião externa.
— Com ele? — perguntou, sem levantar o olhar.
— Com a equipe — respondeu. — Depois… talvez.
Diogo assentiu, como se aquilo não o atingisse.
— Certo.
Mas o silêncio que se seguiu era denso demais para ser ignorado.
No escritório, Melina tentou se concentrar, mas a sensação de estar dividida a acompanhava. Rafael a