A casa estava silenciosa demais naquela noite.
Melina caminhava pelo corredor devagar, ainda com o corpo carregando o peso dos últimos dias. O afastamento de Diogo não havia trazido alívio. Apenas um tipo diferente de incômodo. Mais profundo. Mais insistente.
Encontrou-o na sala, sentado no sofá, sem o terno, sem o celular, sem a armadura habitual. Parecia cansado. Real demais.
— Você chegou tarde — ele disse.
— Eu estava com Rafael — respondeu, sem rodeios.
O maxilar dele se contraiu de imediato.
— Imagino.
Ela largou a bolsa sobre a mesa.
— Não comece — pediu. — Estou exausta.
— Eu também — ele respondeu.
O silêncio se instalou entre eles, pesado, carregado de tudo o que vinha sendo evitado. Melina sentou-se na poltrona oposta, cruzando as pernas, tentando manter distância. Não funcionou. A presença dele ocupava o espaço inteiro.
— Você parece bem com ele — Diogo disse, por fim.
— Ele me escuta — ela respondeu. — Sem tentar me controlar.
— Eu não tento mais — disse ele.
— Tenta sim