Melina saiu de casa naquela noite com a sensação incômoda de estar sendo observada, mesmo sabendo que Diogo não diria nada. Ele não tentou impedi-la. Não perguntou para onde ia. O silêncio dele era mais barulhento do que qualquer confronto.
Escolheu uma roupa simples, mas que a fazia se sentir segura. Não era provocação. Era afirmação.
Rafael a esperava no café combinado, sorridente demais para alguém que ainda não conhecia seus silêncios.
— Achei que você não viria — ele disse.
— Pensei em desistir — respondeu ela. — Mas achei melhor não.
— Ainda bem — ele sorriu. — Você parece alguém que evita fazer o óbvio.
Melina riu, breve.
— Talvez eu só goste de testar possibilidades.
A conversa fluiu com facilidade. Rafael era atento, interessado, fazia perguntas. Falava de trabalho, de planos, de viagens. Melina se pegou relaxando, algo raro ultimamente.
Mas, em alguns momentos, a imagem de Diogo surgia sem aviso. O olhar contido. A irritação mal disfarçada. Aquilo a incomodava mais do que de