Melina percebeu que algo estava errado quando o silêncio deixou de incomodar.
Não era mais dor aguda. Era uma ausência constante, quase confortável demais. Como se o coração tivesse criado uma defesa própria: não sentir para não sofrer.
No jantar com Rafael, ela riu, conversou, participou. Mas em alguns momentos, sua mente se afastava sem pedir permissão.
— Você sumiu agora — Rafael comentou, observando-a por cima da taça.
— Desculpa — ela respondeu. — Fui longe.
— Para onde? — ele perguntou, sem ironia.
Ela pensou em mentir. Não conseguiu.
— Para um lugar que eu ainda não consegui fechar — disse.
Rafael assentiu devagar.
— Eu não quero ser um remendo, Melina — falou com cuidado. — Gosto de você. De verdade. Mas preciso saber se existe espaço real para mim.
As palavras foram ditas sem pressão, e talvez por isso tenham pesado mais.
— Eu não estou usando você — ela disse, defensiva.
— Eu sei — ele respondeu. — Só não quero que você se perca tentando provar algo para outra pessoa.
Ela en