Melina acordou com a sensação de que havia algo errado antes mesmo de abrir os olhos.
Não era um pressentimento claro. Era um peso discreto no peito, como se o corpo tivesse entendido algo que a mente ainda se recusava a aceitar. A conversa da noite anterior voltava em fragmentos: o olhar de Diogo, a presença de Helena, a palavra que ecoava sem ter sido dita em voz alta.
Amor.
Ela se levantou tentando afastar o pensamento. Preparou o café, respondeu alguns e-mails, forçou uma normalidade que não se sustentava por muito tempo. O celular vibrou sobre a mesa. O nome de Rafael apareceu na tela.
Melina demorou a atender.
— Oi — disse, cautelosa.
— Bom dia — ele respondeu. — Eu pensei bastante depois da nossa última conversa.
Ela fechou os olhos por um instante.
— Eu também.
— E cheguei a uma conclusão — Rafael continuou. — Eu gosto de você, mas não quero ocupar um espaço que não é inteiro.
O coração dela apertou.
— Você está se afastando — ela disse.
— Estou sendo honesto — ele respondeu.