Diogo não dormiu naquela noite.
A casa, que antes parecia grande demais, agora soava vazia. Cada canto carregava o eco da discussão, das palavras que ele não conseguia recolher. O controle, sua principal armadura, havia falhado e a sensação era de vulnerabilidade crua.
Às seis da manhã, ele já estava no escritório.
Convocou uma reunião que não precisava acontecer. Reabriu contratos que já estavam fechados. Falou mais do que o necessário, decidiu rápido demais. A equipe percebeu. Quando Diogo entrava nesse modo, algo sempre estava errado.
— Vamos antecipar a expansão — disse ele. — Hoje.
— Mas isso exige revisão jurídica — ponderou um diretor.
— Eu assumo — respondeu Diogo. — Façam acontecer.
No meio da manhã, recebeu uma mensagem curta.
Rafael: Café hoje? Sem pressão.
Diogo leu a notificação refletida no vidro da mesa. Não era para ele. Mas parecia ser.
Sem pensar, fez o que sempre fazia quando se sentia ameaçado: avançou.
Ligou para Melina.
Ela atendeu no terceiro toque.
— O que foi?