Na manhã seguinte, a casa parecia maior.
Não por ter mudado fisicamente, mas porque Melina e Diogo passaram a ocupar extremos opostos dela. Evitavam-se nos corredores, cronometravam horários, transformavam o silêncio em estratégia.
Melina foi a primeira a sair. Vestiu-se com mais cuidado do que o habitual, como se a aparência pudesse servir de armadura. O episódio da noite anterior insistia em retornar, especialmente o modo como Diogo havia gaguejado. Aquilo não combinava com ele. E era exatamente por isso que a incomodava tanto.
Quando desceu as escadas, encontrou Diogo já pronto para sair. O nó da gravata perfeitamente alinhado, a expressão novamente fria.
— Bom dia — disse ela.
— Bom dia — respondeu ele, sem se aproximar.
Houve um breve silêncio.
— Vou chegar tarde hoje — Melina comentou.
— Eu também — respondeu ele.
Nada mais foi dito.
No trabalho, Melina tentou se concentrar, mas percebeu que estava mais observada do que o normal. Um novo consultor havia sido integrado à equipe.