Minha rotina era cheia demais para permitir distrações. Tentava manter a mente ocupada com coisas úteis. Passava por treinos longos, analisava relatórios, simulações, reuniões que nunca acabavam. O corpo cansava, mas a mente não podia. Se eu parasse, tudo voltava. O passado tinha esse vício de aproveitar o silêncio para povoar a mente com lembranças indesejáveis. Por isso, a academia não era só um hábito. Para mim, era terapia. Ali, eu não precisava falar. Não precisava lembrar. Só precisava sentir o peso certo, a dor controlada, o suor queimando músculos que ainda obedeciam a mim. Naquela noite, fui em um horário diferente. Uma mudança simples. Quase banal. Se eu acreditasse em coincidências, diria que foi só isso. O ambiente estava mais vazio do que o normal. Pouca música, poucos olhares curiosos. Perfeito pra mim. Coloquei os fones, respirei fundo e comecei o treino. O corpo respondeu rápido, como sempre. Era ali que eu me sentia inteira. Mais forte e dona de mim. Eu estava
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