Eu acordava cedo mesmo quando não precisava.
Era um hábito antigo, desses que o corpo guarda quando a mente tenta esquecer. Antes do sol nascer, antes do barulho da cidade, antes que pensamentos perigosos encontrassem espaço para crescer.
Naquela manhã, fiz exatamente o que fazia em qualquer dia comum.
Café passado na hora. Pão na frigideira. A janela aberta para deixar o ar entrar. O rádio ligado baixo, mais por companhia do que por interesse.
Parecia uma vida normal.
E talvez fosse isso q