Narrativa: Don Marcello Deluca
O quarto estava mergulhado em um silêncio quase sagrado. A luz suave do fim de tarde entrava pelas cortinas, tingindo o espaço com tons de dourado e âmbar. Lisa dormia, tão frágil que parecia que um simples sopro de vento poderia levá-la embora. Cada leve movimento de seu corpo fazia meu coração apertar, lembrando-me, cruelmente, da força que ela sempre teve, mesmo quando tudo ao redor parecia conspirar contra ela.
Alejandro havia saído há poucos minutos, deixando-nos a sós. Eu permaneci de pé, observando a minha filha. Cada linha do seu rosto, cada fio de cabelo – ou a ausência deles –, cada respiração tranquila me esmagava por dentro. Ela estava indefesa, vulnerável, e eu sentia, mais do que nunca, o peso de todos os anos em que falhei em protegê-la do mundo.
Fechei os olhos e respirei fundo, tentando controlar a emoção que ameaçava me dominar. Recordações antigas começaram a vir à minha mente, inundando-me de lembranças que eu havia tentado enterrar e