O armazém estava em silêncio, exceto pelos tiros distantes que ainda ecoavam como fantasmas do caos que havíamos atravessado e pelo som da minha própria respiração, pesada, irregular, quase falha. Cada passo que dei em direção a Lisa parecia me custar mais do que o corpo podia suportar. Era como caminhar sobre vidro quebrado. Havia apenas um fio entre a vida e a morte ali, um fio fino demais, e eu sabia que cada segundo de hesitação podia significar perdê-la para sempre.
Quando vi minha filha, fraca, quase sem forças para se manter de pé, ainda assim lutando para salvar a vida de Adriano, eu não compreendi de imediato. Minha mente, treinada por anos na lógica fria da máfia, se recusava a aceitar aquela cena. Por quê? Por que ela faria isso? Por que se colocaria diante da arma que apontávamos, diante do perigo, quando mal conseguia se manter consciente?
Mas então ela começou a falar.
E foi naquele instante que tudo se tornou claro.
Havia algo entre eles. Um vínculo silencioso, construí