Havia passado algum tempo.
Quanto exatamente, eu não sabia dizer.
O tempo deixou de ter forma desde que fui arrancada dos vinhedos. Aqui dentro, ele se esticava e se encolhia de maneira cruel, como se brincasse comigo. Dias podiam ser minutos. Minutos podiam ser horas.
Quando despertei novamente, não estava mais jogada no chão sujo.
Havia colchões limpos agora. Lençóis claros. Cobertas embaladas em plástico antes de serem abertas. Toalhas dobradas com cuidado, quase como se alguém tivesse tentado recriar um quarto normal dentro daquele lugar esquecido pelo mundo.
Aquilo me fez engolir em seco.
Não porque fosse confortável.
Mas porque significava que alguém estava tentando me manter viva.
Adriano falava baixo com seus homens do outro lado do galpão. Eu não conseguia ouvir todas as palavras, mas entendia o tom. Não era o tom de quem planejava uma execução. Era tenso, preocupado, quase… aflito.
— Não encostem nela sem luvas.
— Nada de sujeira perto.
— Se alguém estiver doente, fica longe