Narrativa: Lisa Deluca
O impacto do carro contra a estrada foi a primeira coisa que senti. Um solavanco seco, brutal, que jogou meu corpo contra o banco, me deixando atordoada. O cheiro de couro, metal e gasolina me invadiu, misturado ao perfume ácido do medo. Cada curva era uma tortura; cada freada brusca, um aviso do perigo que me cercava. Tentei me apoiar com as mãos, mas a força que restava em meus braços mal me permitia sustentar meu corpo.
O som metálico do motor, o ranger das rodas nos buracos do terreno e o silêncio cortante dos sequestradores atrás de mim criavam uma sinfonia de terror. Não havia conversa. Não havia explicação. Apenas olhares frios e mãos firmes segurando o volante, marcando o ritmo do meu desespero.
O medo me engolia a cada segundo. Meus pensamentos giravam em círculos, sem conseguir encontrar uma saída. O que queriam comigo? Por que eu? A sensação de vulnerabilidade me esmagava: fraca, sem forças, sem ninguém para me proteger além de Elena, que havia ficado