Narrado por Lisa Deluca
Decidi que não queria mais voltar para a casa de papà.
Voltar para lá era como encarar um espelho estilhaçado. Cada canto da casa principal carregava memórias demais, vozes demais, lembranças que sangravam ao menor toque. As paredes não apenas observavam — elas lembravam. Lembravam da menina que eu fui, da mulher que tentei ser, e agora… da ausência que se aproximava.
Na casa da nonna, tudo era diferente.
Ali, entre o cheiro de pão fresco ao amanhecer, as videiras antigas que se espalhavam como braços protetores e o silêncio sem expectativas, eu ainda conseguia respirar. O ar parecia menos pesado. A vida, longe da máfia, dos acordos e da política, parecia mais suportável. Ainda doía, mas doía menos. Doía com humanidade.
Era ali que eu queria ficar.
Elena havia decidido permanecer comigo. Já fazia um mês desde que ela chegara à Toscana, trazendo na bagagem a culpa por não ter percebido antes… e um amor que transbordava em cuidado. Eu agradecia sua presença com s