Narrado por Lisa Deluca
Da noite em que liguei para meu pai dizendo que estava morrendo até a madrugada em que ele dormiu ao meu lado enquanto eu chorava baixinho, ouvindo sua respiração pausada e constante, em preces sussurradas pedindo a Deus para levá-lo no meu lugar, tudo dentro de mim começou a desmoronar mais rápido do que eu podia suportar.
A cada novo amanhecer, era como se o tempo corresse mais depressa. Como se a morte tivesse pressa. Cada segundo se arrastava e, ao mesmo tempo, parecia evaporar. Eu não conseguia mais fingir. Meu corpo gritava o que minha boca já não podia esconder. Os ossos doíam com uma crueldade silenciosa, e o simples esforço de caminhar parecia escalar montanhas invisíveis. Cada passo, cada movimento, era uma batalha. Passei a viver mais entre as paredes do meu quarto do que no restante da casa. A janela tornou-se meu refúgio; o céu se tornou confidente e consolo.
Meu cabelo… caía até quando eu apenas o encostava no travesseiro. Sentir os fios escorrega