Narrado por Alejandro Serrano
Eu não conseguia dormir desde o momento em que ela foi embora.
Os dias deixaram de fazer sentido. O tempo escorria por entre os meus dedos, denso e imóvel, como se cada segundo carregasse o peso da ausência dela.
A cama permanecia intacta desde a última vez em que Lisa se deitou ao meu lado. Seu perfume ainda pairava no ar — cruel lembrança de que alguma parte dela ainda habitava esse lugar, mesmo que o resto tivesse partido.
Suas últimas palavras…
“Você é tempestade demais pra mim, Alejandro. E eu já tenho caos suficiente.”
Essas palavras me perseguiam, madrugada após madrugada, como uma sentença enigmática que eu era incapaz de decifrar.
Ela tinha medo de mim? Ou de si mesma?
Ou, talvez, de tudo que éramos quando juntos?
Naquela manhã, me sentei no terraço da mansão, com uma garrafa nas mãos e os olhos fixos no céu avermelhado.
O sol rompia o horizonte com uma beleza irritante.
O mundo ousava continuar enquanto o meu desmoronava em silêncio.
Túlio estav