Narrado por Marcello Deluca
Ver minha filha querer desistir… me deixou com raiva.
Raiva dela.
Raiva de mim.
Raiva de Deus.
Não consegui responder. As palavras morreram na garganta como pedras.
Apenas saí.
Fechei a porta atrás de mim com um estalo seco, como um ponto final.
Mas não era o fim — era apenas mais um recomeço: arrastado, sombrio e solitário.
Encostei-me à parede do corredor estéril do hospital.
Os sons abafados, o cheiro de álcool, o branco excessivo — tudo parecia zombar da dor que eu carregava no peito.
E então deixei as lágrimas caírem.
Sem vergonha.
Sem controle.
Minha primeira esposa morreu de um tumor cerebral.
Eu a vi definhar, pouco a pouco, até não restar mais nada além de ossos e silêncio.
E agora… estava revivendo a mesma maldição.
Só que, dessa vez, era minha menina.
Meu sangue.
Meu coração fora do peito.
Nada no mundo prepara um pai para assistir à filha escolher a morte.
A volta de Lisa da Espanha ainda era um enigma que eu não conseguia decifrar por completo.