Narrado por Alejandro Serrano
Ela sumiu.
Simples assim.
Como se tudo o que vivemos não passasse de uma alucinação febril.
Como se aquela noite — o rastro salgado das lágrimas dela nos meus lábios, o peso do seu corpo no meu, a confissão silenciosa no toque dos dedos — nunca tivesse existido.
O quarto ainda carregava o cheiro dela.
Um vestígio sutil de lavanda e chuva.
Me recusei a abrir a janela. O ar precisava do perfume dela, porque eu já estava perdendo o resto.
Peguei o celular. Liguei.
Uma vez.
Duas.
Cinco.
O tom chamava. A voz dela não vinha.
— Lisa, atende essa merda de telefone…
Elena entrou no quarto como uma sombra delicada.
Seus olhos aflitos carregavam um misto de confusão e pena — pena essa que me dava náuseas.
— Alejandro, o que está acontecendo?
— Ela sumiu. — Minha voz saiu mais baixa do que deveria. — O pai dela mandou tirar ela daqui. Mas ninguém me disse nada. Ela… simplesmente… foi embora.
— Mas ela estava bem? Ela disse algo?
— Nada. Nem uma mensagem. Nem um bilhe