— Papai… eu acho que estou doente. — A frase saiu como um sussurro rasgado. As lágrimas escorriam pelo meu rosto sem controle. — Há alguns meses venho sentindo mudanças no meu corpo. — Pausa. A dor me atravessava como uma lâmina afiada. — Primeiro foram as manchas roxas, surgindo do nada. Depois, vieram as tonturas, os enjoos… Mas, um dia antes da viagem, a tosse com sangue começou. E agora… isso.
Era como se eu estivesse me despedaçando por dentro, pouco a pouco. A realidade do que estava acontecendo se tornava mais densa a cada palavra. Meu pai permaneceu em silêncio por longos segundos, o rosto contorcido por uma preocupação que ele mal conseguia disfarçar. Eu queria ouvir que tudo ficaria bem. Que era só uma fase. Mas ele apenas me abraçou — um abraço firme, silencioso, protetor. Como se tentasse me esconder do mundo, ou talvez da verdade que ele também temia.
— Por que você não nos contou nada?! — Matteo explodiu, a voz carregada de raiva e medo.
Soluçando, tentei me justificar.