6. KIRA

Após a minha conversa com o padre, voltei ao trabalho. Não posso me deixar abater por causa daquele covarde. Junto com a minha secretária, organizei a minha agenda. Durante o restante do dia, realizei alguns atendimentos de mulheres grávidas — e eu sou fascinada por ser mãe.

Sempre que posso, olho o meu celular, esperando uma mensagem de Tecio. Ele enfim marcou para irmos jantar, e o meu coração transbordou de alegria, porque só eu sei o quanto estou com saudades.

No meio do trabalho, minha mãe veio me visitar, e eu a abracei forte.

— Mamãe, que bom que veio! Ia chamar a senhora para me acompanhar ao salão.

— Vamos sim. Tenho trabalhado tanto que estou precisando relaxar.

— Tenho tanto orgulho da senhora! Quero ser forte como você.

— Você também é o nosso bem maior, e te apoiamos em toda e qualquer decisão que tomar.

Peguei a minha bolsa, e juntas fomos ao salão. Fizemos alguns tratamentos, cuidamos das unhas e dos cabelos. Ainda deu tempo de comprar alguns looks novos e, sem querer, encontrei Felipa segurando um buquê de rosas vermelhas, olhando a vitrine de uma loja. Fiquei feliz ao ver que ela encontrou alguém romântico.

— Felipa! — falei, animada ao vê-la, e ela se assustou.

— Nossa, que surpresa... Eu não te convidei para vir comigo porque você está sempre ocupada — disse Felipa, apreensiva.

— Que lindas flores! Depois quero saber os detalhes desse encontro, viu? — falei, animada.

Felipa ficou sem graça, um pouco estranha. Como eu estava apressada, nos despedimos, e mamãe me acompanhou.

— Kira, você não achou a Felipa estranha? Ela ficou esquisita quando nos viu — mamãe questionou.

— Achei ela um pouco assustada. Mas acho normal, até porque quase não venho fazer compras.

— Você tem que cuidar mais de si, Kira. Homens amam mulheres sensuais, fica a dica — mamãe me aconselhou.

Até Felipa ganhou flores... Eu também ganhei um lindo buquê, mas foi de alguém de quem eu não gosto. Enfim, preciso esquecer tudo e focar no meu encontro com o meu amor.

---

A noite chegou, e eu coloquei um vestido sensual, passei o meu perfume, retoquei a maquiagem, ajeitei os cabelos e calcei um salto quinze. Minha mãe tem razão: estou linda, me sentindo maravilhosa.

Peguei a minha bolsa quando minha mãe veio me chamar.

— Kira, apresse-se, Tecio acabou de chegar!

— Estou pronta, mãe.

Acompanhei-a, e o meu amor estava perfeito, à minha espera.

— Kira está perfeita. Não é porque ela é minha filha, mas preciso dizer: você é um homem de sorte — papai disse, orgulhoso.

— Obrigada pelo elogio, pai. Eu é que sou uma mulher de sorte por ter Tecio e vocês ao meu lado — disse, abraçando-o e, em seguida, beijando Tecio.

— Está linda, Kira. Seu pai tem razão — disse Tecio, beijando minha mão.

Despedi-me dos meus pais, e durante o caminho disse o quanto estava com saudades. Como uma noiva dedicada, perguntei como foi o seu dia. Tecio conversou bastante comigo, mas senti-o um pouco frio.

Fomos ao restaurante que costumamos frequentar. Eu esperava uma surpresa, mas até então não notei nada de diferente. O garçom nos atendeu, fizemos o pedido, e eu o encarei.

— Meu amor, ainda bem que você chegou de viagem. Precisamos falar sobre o casamento — falei, beijando seu rosto.

— Claro, meu amor. Nossa casa já está quase pronta, falta apenas a decoração.

— Enquanto isso, já vou marcando a data. Quero logo ter filhos, construir nossa família... Eu te amo tanto — me declarei.

O jantar seguiu envolto em carinho. Beijei loucamente o meu grande e único amor. Em seguida, o garçom veio em minha direção, trazendo uma rosa vermelha, e me entregou.

— Essa rosa é para você — disse Tecio.

Agradeci, mas foi impossível não lembrar da mensagem no cartão que Éder havia me enviado junto com o buquê mais cedo.

— Espero que tenha gostado — disse Tecio, e eu sorri.

Agradeci com um leve beijo em seus lábios. Não sou de beber, mas tomei um pouco de champanhe. Abracei Tecio, que me encarou, e então disse:

— Tecio, vamos para o seu apartamento... estou louca de saudades — falei, beijando sua boca.

— Está bom, Kira — respondeu ele, com um semblante cansado.

Ele pagou a conta, e fomos para o seu apartamento. Quando chegamos, fui logo tirando sua roupa, tomada pelo desejo. Fizemos amor para matar a saudade, mas Tecio, coitado, estava cansado de tanto trabalho após a viagem.

Fiquei com pena do cansaço dele e pedi ao motorista que viesse me deixar em casa. Relacionamento é isso: parceria e compreensão.

Voltei para casa pensativa, segurando a única rosa que ganhei. Beijei-a e a apertei contra o peito.

— Te amo tanto, Tecio... Não vejo a hora de ter a aliança de casados no meu dedo — disse sozinha.

— Senhora Kira, chegamos — disse o motorista, abrindo a porta do carro para mim.

Desci meio perdida e entrei em casa. Hoje é a primeira vez que me sinto assim, com um turbilhão de pensamentos — bons, mas também cheios de dúvidas. É como se minha mente dissesse que há algo errado, enquanto meu coração me acalenta, pedindo que eu siga pelo caminho que escolhi.

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