4. KIRA

Cheguei em casa exausta e fui diretamente para o meu quarto e novamente liguei para o Tecio que não me atendeu, liguei para a Felipa e ela também não atendeu loucura minha, pensar que uma hora dessas alguém vai me atender, a sensação que tenho é que todos me abandonaram hoje.

Tirei a roupa, lavei o meu rosto, e no meu celular chegou uma mensagem do padre Cristian me agradecendo pela participação no leilão já que não teve a oportunidade de agradecer pessoalmente porque vim embora sem falar com ele, sentei na cama arrependida por essa minha atitude. Sempre sou tão equilibrada, mas aquele homem acabou com a minha noite. Respondi o padre com o meu pedido de desculpas e marquei com ele para conversarmos depois.

Deitei na minha cama me embrulhando com o edredom e a minha mãe veio me deixar uma xícara de chá.

— Passando para deixar um chá relaxante para você dormir tranquila. — Mamãe colocou a bandeja do meu lado.

— Espero que esse chá me faça esquecer essa noite. — Me sentei na cama e comecei a tomar o líquido.

— Vamos sim, esquecer! Você é muito linda filha, o nosso orgulho. — Mamãe me beijou na testa.

— Filha eu queria entender o porquê esse homem parou em você, tinha varias mulheres no evento?

— Não o cumprimentei quando ele estava com o padre indo sentar em outra mesa, acho que ele sentiu que não gosto dele.

Mamãe se despediu de mim e saiu do meu quarto e após terminar de tomar o chá, consegui dormir.

**************

No dia seguinte acordei com uma mensagem do meu amor Tecio se explicando que chegou de viagem muito cansado por isso não retornou as minhas ligações. E eu super compreende o meu noivo e marcamos de ir almoçar juntos e depois matar a saudades que está tão grande, não vejo a hora de nos casarmos, e construir a nossa família.

O dia amanheceu brilhando para mim, Tecio é o homem da minha vida, esqueci completamente o ontem, só queria ver o meu amor. Rapidamente fui me arrumar para ir ao trabalho coloquei numa bolsa separada a roupa que usarei no almoço, inclusive uma lingerie vermelha.

A ansiedade estava mil, tomei café da manhã com a minha família que ao me ver iluminada perguntaram.

— Parece que alguém viu um passarinho verde!? — Mamãe diz.

— Bom dia meus amores — disse beijando papai e mamãe.

— Tecio já chegou com certeza. — Papai comenta.

— Chegou e hoje vamos almoçar juntos! Sou a mulher mais apaixonada desse mundo.

Felizes papai e mamãe mostraram a matéria que saiu sobre eles serem um casal de empresários mais bem sucedidos aqui da cidade, comemorei junto com eles, tomei meu café feliz, sou a mulher mais sortuda desse mundo em ter a família mais amorosa do mundo e um noivo que ama demais.

Sai de casa animada e cheguei no consultório médico para realizar algumas fisioterapias, pontualidade é algo que primo porque meus pacientes são mais idosos e crianças, comecei os atendimentos e Felipa veio me fazer uma visita e ela entrou no meu escritório com um sorriso de orelha a orelha.

— Parece que alguém também está sorrindo a toa? — Perguntei.

— Impressão sua Kira, só estou feliz. Nada de mais aconteceu — Felipa diz sorrindo.

— Essa marca no seu pescoço diz que nada aconteceu — Falei desconfiada.

— Kira, olho grande. Pensei que a base tivesse cobrido, sai ontem com um, carinha. — Felipa falou desconfiada.

— Você é solteira minha amiga, tem que aproveitar mesmo. — Disse feliz.

Chamei ela para tomar um café para tentar descobrir quem é o seu novo affair, mas não consegui descobrir nada, contei para Felipa que vou almoçar com Tecio e os planos que fiz para nós dois hoje e ela me ouviu quando o celular chamou era o Tecio, atendi imediatamente.

— Ola meu amor estava agora mesmo falando de você. — Disse apaixonada.

— Kira, não vou poder ir para o nosso almoço, tenho que resolver um problema urgente aqui na construtora. — Tecio disse sério.

— Meu amor, lamento muito! Tudo bem eu super compreendo. — Nos despedimos e desliguei o celular.

— Não sei se eu seria assim tão compreensível — Felipa fala séria.

— Faz parte da vida quando decidimos nos apaixonar por homens ocupados, eu o amo demais.

Como ainda tinha tempo de sobra após Tecio ter desmarcado o nosso compromisso, me deu vontade de falar com Felipa sobre o que aconteceu ontem com Éder, mas achei melhor me calar, não posso falar de algo que quero esquecer e ela ao me notar calada me olha estranho.

— Kira falamos e falamos, mas não contou nada do leilão. O poderoso Éder comprou o leilão inteiro e doou tudo para os pobres.

— Quem te disse que ele doou para os pobres todos os prêmios? — Perguntei curiosa.

— Num jornal, no meu celular também eu vi. — Felipa fala mostrando a notícia.

— Ainda bem que ele fez isso, pelo menos o dinheiro dele serviu para alguma coisa. — Disse um pouco nervosa.

Falar desse homem foi o suficiente para eu encerrar a minha conversa com Felipa e querer ir retomar o meu trabalho. Cheguei na recepção do meu consultório só estava a minha secretária que apareceu com um buquê de flores e eu logo abri um sorriso porquê sei que foi Tecio que mandou.

— Senhora essas lindas flores chegaram agora. — Lina me entrega.

— São lindas mesmo, sou tão abençoada de ter um noivo romântico. — Falei segurando entre os meus braços o buquê.

Entrei no meu escritório cheirando as lindas rosas, vi que tem um lindo cartão ao lado e o retirei para poder ler, sentei na poltrona e abri o cartão rápido que estava escrito assim. “ Essas lindas flores são para a mulher mais perfeita da cidade! Tenho a mais plena certeza que a noiva nunca recebeu do seu querido noivo um buquê como esse.” Assinado Éder Vilamout. O buquê caiu diretamente no chão, o coração faltou foi sair pela boca do susto porque eu não esperava.

— Não é possível! Isso só pode ser uma brincadeira. — Gritei trêmula. — O que esse homem quer?

O que ele quis dizer com isso, não quero acreditar que estou sendo vigiada. Faz tempo que Tecio não me envia flores, peguei o maldito buquê e joguei no lixo. O pior de tudo isso é que preciso reconhecer que nunca recebi um tão lindo quanto esse, mas vindo dele se tornou feio. E uma interrogação ficou na minha cabeça.

— Esse homem é o diabo e ele quer plantar discórdia no meu noivado. — Falei sozinha colocando a mão entre os meus cabelos.

Como Éder sabe esses detalhes da minha vida, eu amo Tecio e não vai ser um buquê que vai fazer eu medir o amor que o meu noivo sente por mim.

O equilíbrio não fez mais parte de mim após o recebimento desse buquê, peguei a minha bolsa, precisava conversar com alguém e essa pessoa jamais poderia ser Felipa por mais que ela seja a minha melhor amiga, mas esse assunto não me sinto à vontade e me restou ir atrás do padre Cristian.

Desmarquei todo e qualquer compromisso que eu tinha durante esse dia e fui diretamente para a casa em que o padre mora. Dirigi rápido porque eu tinha pressa de chegar, não liguei avisando que eu iria ve-lo.

Quando cheguei já era horário do almoço, toquei a campainha e o padre abriu a porta.

— Filha que surpresa — O padre falou ao me ver parada na sua porta.

— Desculpa ter vindo sem avisar, eu preciso muito conversar com o senhor.

— Sente-se filha pode falar, estou ouvindo. — Obedeci ao padre.

— Padre eu não vou tomar muito o seu tempo, aquele homem, o Éder. — Falei nervosa.

— Kira o que aconteceu, o que tem o Éder, porque está assim tão nervosa.

— Esse homem está me perseguindo desde ontem até flores ele me enviou hoje. — Falei rápido e encarei o padre.

— Não vejo nada de mais em flores, Kira Éder ficou encantado com você, que mal a nisso.

— Todos os males quando sou noiva, nunca dei liberdade para esse homem, sabemos que ele é uma pessoa camuflada.

— Até hoje ele foi a única pessoa que mais ajudou na comunidade, você viu ontem. Não se apavore Kira, as flores são só um ato de admiração. — O padre fala paciente.

— O meu medo é que esse homem me persiga e atrapalhe o meu noivado, discutimos ontem no estacionamento. — Falei nervosa.

— Kira se acalme, nada vai acontecer! Éder é um homem muito ocupado para infernizar alguém como você. — Queria ter a calma do padre mas está difícil.

— Essas flores vieram para mim em tom de ameaça, eu sinto isso. — Falei apreensiva.

— Vou falar com ele Kira, fica tranquila. Agora venha almoçar comigo. — O padre me convidou.

O padre com a sua serenidade tirou um pouco da minha neurose, almoçar com ele fez eu me acalmar um pouco, conversamos sobre o meu casamento com Tecio entusiasmada, o padre Cristian garantiu que vai realizar o meu casamento e eu fiquei feliz por um instante mas não consegui esquecer das flores que Éder mandou, uma angústia se forma no meu coração.

Voltei para casa meio que perdida pensando no meu noivado que já se arrasta a meses, eu e Tecio nos amamos e vamos ser felizes não posso deixar um buquê de flores causar dúvidas sobre o meu relacionamento.

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