Mundo ficciónIniciar sesiónEle é o homem mais poderoso e influente de toda a cidade. Ela é a mais linda entre todas Ele a deseja como ninguém mais Ela o teme. Uma noite e um encontro será o suficiente para dois mundos se colidirem causando assim entre os dois uma explosão de ódio, intrigas, segredos e desejos. Onde levará Kira questionar se o mundo que ela criou um dia realmente existiu. Já Éder verá que nem tudo o dinheiro compra, nem mesmo a atenção de uma mulher.
Leer másCheguei à empresa, indo diretamente para o meu escritório. Sentei na minha confortável cadeira, aproximei-me da mesa e, devagar, virei-me para trás, observando a grande avenida lá de cima: pessoas andando de um lado para o outro, carros apressados. Respirei fundo.
Porque, anos atrás, se eu não tivesse decidido fazer trabalhos ilegais, não teria chegado onde estou. A minha vida seria igual à de muitos: sem dinheiro e dependente dos outros. Não vence na vida quem é honesto — isso eu senti na pele. O dinheiro é dono de tudo, e quem não tem sofre muito. Algumas pessoas pensam que a sorte me ajudou. Talvez eu tenha tido um pouco dela quando um homem poderoso cruzou o meu caminho, estendendo-me a mão. Mas, no fim, eu arregacei as mangas e fiz o meu trabalho com maestria, interessado em aprender tudo. Fiz negócios com pessoas de todas as esferas na cidade de Seattle, o que me levou a ser um grande empresário da área imobiliária, à frente de tudo aquilo que movimento internamente. O destino me fez mudar para uma cidade de médio porte, onde abri várias outras empresas — das quais nem todos sabem que sou o dono. Em pouco tempo, tornei-me um dos homens mais poderosos dessa cidade. Fiquei com o olhar vidrado na paisagem da minha janela e não vi Lukas entrar. — Éder, Éder, está tudo bem? — Lukas chamou mais uma vez, e eu me virei. — Como ousa entrar no meu escritório assim, sem bater? — disse, nervoso, levantando-me. — Perdão, Éder. Bati na porta duas vezes, chamei, e você não respondeu. Então entrei. Você parecia longe. — Afinal, o que quer? Diga logo — falei, estressado. — O convite do leilão beneficente. O padre Cristiano o convidou novamente. — Lukas falou, com o envelope nas mãos. — Convite? Todos nessa cidade falam mal de mim pelas costas e ainda querem a minha presença em um leilão beneficente? Jogue o convite fora. — Como quiser, Éder. — Lukas falou, saindo. — Volte aqui, Lukas! Quando será o leilão? Deixe o convite aqui. — falei rápido. — O leilão é hoje! — Lukas respondeu, colocando o envelope sobre a mesa. — Vou comparecer e arrematar tudo o que houver nesse leilão. O homem sem coração vai entrar em ação. — falei em tom sarcástico. — Éder, você sabe o coração que tem. Não precisa provar nada para ninguém. — Lukas falou sério. Sim, eu sei o coração que tenho. Tanto que mantenho total controle sobre ele. Ninguém nunca ousou tocá-lo. Abri o convite e vi que o bendito leilão seria cedo. Não vou confirmar presença; adoro aparecer de surpresa em alguns lugares. Guardei o convite no paletó e fui me concentrar no trabalho. Não posso mais perder tempo pensando nessa gente linguaruda. --- Ao anoitecer, vesti o meu terno. Lukas já estava à minha espera no estacionamento da empresa. Olhei a hora no relógio, e o horário estava perfeito para comparecer ao leilão — todos já deveriam estar presentes. Quando chegamos, paramos em frente ao salão da igreja, e eu olhei sério para Lukas, balançando a cabeça em negativo. — O leilão será aqui? — perguntei, sem acreditar. — Sim. É um lugar simples, Éder. Saímos do carro e entramos no grande salão. É lógico que todos os olhares se voltaram para mim. Afinal, ninguém me esperava ali, já que, nos outros anos, o convite foi recusado. O padre caminhou na minha direção. — Seja bem-vindo, Éder. É um prazer tê-lo aqui pela primeira vez. — o padre Cristiano disse, estendendo a mão. — Obrigado, padre. — cumprimentei-o com um aperto de mão. Olhei ao meu redor, e um grupo de homens veio me cumprimentar. Alguns empresários bastante curiosos ao meu respeito, querendo saber da minha vida. Sei muito bem lidar com curiosos, então me afastei um pouco deles. Em meio a tanta gente reunida, Lukas e eu fomos conduzidos até uma mesa pelo padre. Foi então que uma mulher de cabelos claros, fios ondulados, corpo delicado e perfeitamente moldado, olhar firme — simplesmente bela — segurou o braço do padre, e paramos junto com ele. — Padre, podemos dar início ao leilão? — a mulher perguntou, sem nos olhar. Quando a encarei, ela me olhou surpresa — ou seria medo? Parecia mais que havia visto um fantasma. — Filha, espere só um momento. Deixe-me apresentar Éder. Hoje ele veio prestigiar o leilão. — o padre falou, enquanto a mulher me observava de forma cada vez mais estranha. Estendi a mão para cumprimentá-la, mas ela não quis segurá-la, deixando-me no vácuo e envergonhado. — Padre, darei início ao leilão em cinco minutos. — A linguaruda nos deu as costas. Nunca vi mulher mais mal-educada. Fechei os punhos de tanta raiva que senti. Lukas piscou para mim, percebendo que o clima ficou estranho. O padre disfarçou a tensão — eu não. Minha vontade era fazê-la ouvir algumas verdades. — Sentem-se, filhos. — o padre pediu. Sentei com o maxilar trincado, com a mente fervendo de ódio. Minha vontade era bater na mesa. Ninguém nunca me tratou assim. — Você viu o atrevimento daquela mulher? — disse, nervoso, bebendo a água. — Atrevimento não. Ela parece ter medo de você. Não soube decifrar ao certo o olhar dela. — Medo? Nunca a vi na minha vida. O que tem de bela, tem de grossa. — respondi com raiva. De repente, a tal mulher subiu em um pequeno palco. Meus olhos quase soltavam fogo ao encará-la de longe. Apresentou-se como Kira, e todos a aplaudiram de pé, como se ela fosse uma rainha. Acompanhada de um apresentador, o leilão teve início. Quero ver ela me ignorar agora. — Éder, não consegue olhar para outra direção que não seja a dessa mulher? — Lukas perguntou, coçando a cabeça. — Odeio que me tratem como um nada. Não sou um qualquer. Me chamo Éder Vilamout. Estava sentado em uma mesa lateral, e isso me incomodou imediatamente. Não sou homem de ficar de lado, muito menos atrás — e sim na frente. Levantei-me da mesa em que estava e sentei-me na primeira mesa, de frente para Kira. Encarei-a, e ela imediatamente desviou o olhar do meu, sem nem fazer questão de disfarçar que não gostou da minha presença.Fiquei sentado no sofá, pensativo, e em meio a tanta angústia, recebi a notícia de que havia uma esperança de vida. Cecília, a mulher que me colocou no mundo e que me abandonou ainda bebê nos braços do meu pai, está viva, mas respirando por aparelhos. Uma mulher contra quem jurei vingança desde o momento em que soube do que ela fez. O tempo passou, e eu me tornei independente. Mandei investigar toda a vida da Cecília, por onde andava e o que fazia, porque a minha vingança tinha pressa. E Cecília estava mais perto do que eu imaginava: ela havia voltado para sua terra natal, San Francisco. Engoli o meu orgulho e fui ao seu encontro porque Cecília precisava pagar por todo o meu abandono. Mas, no meu primeiro encontro com ela, Cecília se encontrava debilitada após um acidente. Já não podia haver vingança, porque, à minha frente, eu via uma mulher pagando caro por todas as suas escolhas do passado. Lembro-me como se fosse hoje, porque as lembranças ainda estão vivas, e eu nunca esqueci
Perdi totalmente a fome após a vinda do padre aqui. Creio que todos da empresa estão sem entender nada com a presença dele, até porque não sou nem um pouco caridoso. Minha secretária avisou que Lukas está aqui, então mandei que ele entrasse imediatamente. — Éder, trouxe alguns documentos do condomínio Vilamout. O engenheiro me comunicou que a obra foi totalmente concluída. — Boa notícia. Cuide de contemplar todos os que já compraram os apartamentos. — Acho incrível a sorte que você tem. Você é uma máquina de fazer dinheiro. — Lukas diz e eu apenas soltei um riso baixo. — Meu pai dizia: invista seu dinheiro em imóveis, bolsa de valores, aprenda economia. E eu fiz mais do que isso. — Você se tornou quase o dono de toda a cidade — Lukas falou, admirado e eu levantei o olhar frio. — Não sou o dono, nem faço questão de ser. Quero ser respeitado e admirado. — Isso você já é. — Não sou — neguei pensativo. Lukas ficou me observando enquanto eu permanecia em silêncio. Ele, p
Após a minha conversa com o padre, voltei ao trabalho. Não posso me deixar abater por causa daquele covarde. Junto com a minha secretária, organizei a minha agenda. Durante o restante do dia, realizei alguns atendimentos de mulheres grávidas — e eu sou fascinada por ser mãe. Sempre que posso, olho o meu celular, esperando uma mensagem de Tecio. Ele enfim marcou para irmos jantar, e o meu coração transbordou de alegria, porque só eu sei o quanto estou com saudades. No meio do trabalho, minha mãe veio me visitar, e eu a abracei forte. — Mamãe, que bom que veio! Ia chamar a senhora para me acompanhar ao salão. — Vamos sim. Tenho trabalhado tanto que estou precisando relaxar. — Tenho tanto orgulho da senhora! Quero ser forte como você. — Você também é o nosso bem maior, e te apoiamos em toda e qualquer decisão que tomar. Peguei a minha bolsa, e juntas fomos ao salão. Fizemos alguns tratamentos, cuidamos das unhas e dos cabelos. Ainda deu tempo de comprar alguns looks novos e, sem q
Continuei lendo o restante da notícia do casal e, na manchete, falava que Kira era filha única. A joia preciosa da família. Joguei o jornal de lado e fiz apenas uma ligação para saber o endereço do trabalho de Kira. Não demorou muito e recebi a informação que precisava para lhe enviar um lindo presente: um buquê de rosas para surpreendê-la.Não era qualquer buquê, era o mais caro da cidade, da melhor floricultura que temos por aqui. Liguei e, ao fazer o pedido, optei por rosas delicadas, iguais à mulher que vai recebê-las.Não sei ao certo explicar como ela é. Parece delicada, mas tem um gênio forte, difícil de suportar. Uma beleza que contrasta com tudo o que penso dela, e seus olhos amendoados combinam com seus fios claros. Ouvi batidas na porta e mandei entrar.— Éder, enviei o endereço para o seu celular. — Lukas falou.— Tirei o melhor proveito possível. — falei, com um sorriso sarcástico.— Conheço esse sorriso... Está fazendo maldade.— E desde quando enviar flores a uma dama é










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