9. KIRA

Dois dias se passaram, e eu fiquei mais tranquila depois que o padre foi falar com aquele homem. Voltei a trabalhar com tranquilidade, e o medo foi embora. Decidi que vou ficar mais próxima do meu noivo e fazer uma surpresa para ele: vou à empresa para levá-lo comigo para almoçarmos juntos.

Saí mais cedo da clínica e fui direto para a Engenharia Fernández, dirigindo feliz e cantando alegremente, porque o amor tem dessas coisas. Olhei para o meu anel de noivado no dedo. Quando cheguei à empresa, entrei no elevador e, ao chegar à recepção, sorri.

— Senhora Kira, seja bem-vinda. — A secretária falou ao me ver.

— Vim na tentativa de tirar o meu noivo um pouco do trabalho para irmos almoçar — disse, sorrindo. A secretária me olhou estranho.

— O senhor não está. Ele saiu faz uns vinte minutos. — Congelei ao ouvir isso.

— Ele disse para onde ia? Tecio vai voltar? — perguntei, sem esconder a minha decepção.

— Ele cancelou todos os compromissos e avisou que não viria hoje. Por favor, não comente que fui eu que falei isso. — Mary pediu, preocupada.

— Deve ter acontecido alguma coisa! Não se preocupe, Mary, vou tentar falar com ele. — tranquilizei-a.

Saí da empresa frustrada e preocupada. Não entendi o motivo do medo de Mary em me contar que Tecio havia saído, já que ele sempre trata tão bem os colaboradores. Afastei esses pensamentos, porque precisava ligar urgentemente para ele. Entrei no carro e disquei o número, mas ele não atendeu. Liguei novamente, e caiu na caixa postal.

Desde que Tecio voltou, tem trabalhado arduamente. Liguei para Felipa para não almoçar sozinha, mas ela também não atendeu.

— Todo mundo sumiu hoje. — disse sozinha.

Só me restou almoçar sozinha, então fui ao restaurante mais próximo. Depois, fui comprar alguns livros. Encontrei alguns casais na livraria; o amor é algo tão lindo, e, quando é verdadeiro, tudo se torna mágico. Sozinha, decidi que vou marcar a data do casamento para daqui a dois meses. Não aguento mais viver longe de Tecio. Liguei novamente para ele, mas não atendeu. Deixei uma mensagem:

— Meu amor, estou avisando que amanhã iremos marcar a data do nosso casamento para daqui a dois meses. Te amo.

Desliguei o celular e tive certeza de que ele também ficaria feliz. Fiquei toda boba.

Enquanto caminhava pela rua, olhando vitrines, acabei esbarrando em uma mulher simples que quase caiu no chão.

— Senhora, mil desculpas. Estava desatenta. Deixe-me ajudá-la.

— Desculpa eu! Não conheço nada nesta cidade. Saí do hospital onde Cecília, a pessoa de quem estou cuidando, está internada, e me perdi.

— Meu Deus, qual é o hospital? — perguntei, preocupada, ao notar que a senhora estava trêmula.

— Minha amiga está na UTI. Me desculpe, mas não sei o nome do hospital, porque sou analfabeta. — a desconhecida falou, nervosa.

— Bina. Me chamo Bina.

— Bina, me chamo Kira, e vou levá-la ao hospital mais próximo. Talvez seja lá que sua amiga esteja internada.

A mulher assentiu. Levei-a até o meu carro. Não sou de ajudar estranhos, mas algo me dizia para ajudá-la. Durante o caminho, Bina contou que sua amiga, Cecília, está na UTI, em um hospital pago pelo filho dela. Pela simplicidade de Bina, eu não imaginava que ela acompanharia alguém internado no melhor hospital da cidade.

— Senhora, é este o hospital? — perguntei ao parar o carro do outro lado da rua.

— Sim, é esse mesmo! Você tem um coração muito generoso. Obrigada por me trazer.

— Boa sorte, senhora Bina — falei, intrigada.

— Obrigada. E, se puder, ore pela minha amiga Cecília.

— Pode deixar, vou colocá-la em minhas orações.

Ela atravessou a rua e entrou no hospital. Fiquei com vontade de saber mais sobre a vida dessas mulheres. Havia algo nessa história que não se encaixava, ou podia ser loucura minha... De onde essa mulher veio? Parecia tão acuada e medrosa; dava para ver que não estava acostumada com a vida em cidade grande.

Entrei novamente no meu carro e voltei ao trabalho. Ao chegar, convoquei minha secretária para uma reunião, pois precisava organizar minha agenda. Em junho será o meu casamento, e em julho quero estar em lua de mel. Tecio e eu precisamos desse momento.

Meu próximo paciente chegou: uma criança para lá de especial, uma verdadeira rosa branca, e eu me emocionei.

Trabalhar com o que se ama é a melhor coisa da vida. Após finalizar o atendimento, meu celular vibrou. Era uma mensagem anônima: “Você sabe por onde anda o seu noivo? Cuidado.”

O celular caiu no chão. Não é possível… alguém está tentando destruir o meu relacionamento, me separar de Tecio. Não quero acreditar que tenha sido aquele arrogante do Éder. E, se não foi ele, quem será? Jamais vou acreditar em uma mensagem dessas. Ninguém vai me ver infeliz, muito menos duvidando do meu noivo, com quem estou há tanto tempo.

Minha secretária entrou no meu escritório e, ao me ver em choque, correu para me ajudar.

— Dra. Kira, está tudo bem?

A voz da minha secretária me trouxe de volta para a terra.

— Estou bem — Menti respirando fundo. Tentando me recompor. Ela apanhou o celular que estava no chão.

— Posso chamar o próximo paciente? — perguntou, preocupada.

— Sim, já estou bem.

Bebi um pouco de água, me recompus e continuei o meu trabalho. Não vou acreditar em mensagens mentirosas. Segui trabalhando e esperando que Tecio me ligasse.

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