A madrugada avançava como um intruso silencioso pelas janelas fechadas. A cidade dormia, mas Helena não. Os olhos ardiam, fixos na tela iluminada do computador, enquanto o cursor piscava ritmado, impaciente. O arquivo em branco parecia zombar dela. Era como se dissesse: você sabe demais para calar agora.
A pasta aberta sobre a mesa estava repleta de recortes, nomes, fotos, datas. Ela havia conseguido acessar arquivos antigos da delegacia — através de uma fonte que preferia não nomear — e ali es