No fim da tarde do dia seguinte, o sol se punha no horizonte, pintando o céu de tons dourados e rosados.
O carro de Glauco deslizava suavemente pela estrada que levava de volta para casa.
No banco de trás, Amália segurava o pequeno Gustavo com todo o cuidado, envolto na manta clara que o hospital havia fornecido.
O bebê dormia tranquilo, o rostinho sereno, respirando de forma compassada.
Glauco, sentado ao lado dela, não conseguia desviar o olhar. Cada pequeno movimento de Gustavo parecia um milagre.
Os olhos do bebê eram de um azul profundo, como os de Amália, mas o olhar, ainda que inocente, tinha algo do pai: firme, curioso, quase desafiador. As feições também denunciavam a herança o formato do queixo, a expressão séria mesmo no sono.
Amália observava aquele contraste com ternura.
— Ele tem seu jeito de olhar... Sussurrou, com um sorriso cansado, mas doce.
Glauco riu baixinho, os olhos marejados.
— E o seu azul. Respondeu, passando o dedo de leve nas mãozinhas pequenas do filho. —