Capítulo 3

Kecharq o olhou sério, cerrou os olhos, falou fechando os punhos com ódio, por vê-lo oferecendo a mulher de novo.

— Vaza da minha frente, seu comédia. Se ficar devendo de novo, não vai ter caô. Vai desenrolar sozinho, na pedalada. Virar mulherzinha de geral.

Teteu percebeu que estava vacilando, garantiu que não ia vacilar mais, saiu de perto pensativo. Durante alguns dias, se sentiu culpado, arrependido, com pena de Emília. Mandou uma carta linda, relembrando como foi começar a namorar ela, elogiando seu corpo, cheiro, dizendo que tudo nela era perfeito, declarando seu amor.

Ela estava sem dormir direito a dias, quando fechava os olhos no final do dia, via Kecharq, sendo grosso e gentil ao mesmo tempo, a deixando segura, fazendo se sentir especial.

Tudo o que Teteu não fazia mais, e isso a deixou extremamente culpada, enojada consigo mesma, por ter gostado de estar com outro. Fez pesquisas em redes sociais, notícias, e não encontrou nada sobre Kecharq, depois deduziu que aquele era o vulgo, apelido dele e não o nome real.

Ela recebeu a carta, ficou triste, ainda com raiva e estava extremamente cansada, de tanto trabalhar, para manter os dois. Na próxima visita decidiu não ir, mandou pelos correios o Jumbo, com tudo o que Teteu gostava e precisava.

Ele estava ansioso para vê-la, queria tr4nsar, pedir desculpas, fazer novas promessas, e ao ver que ela não ia, começou a surtar, desandar, foi fazendo dívidas. Kecharq só observava, com a certeza de que ia ter uma nova oportunidade, de ficar com Emília. Ele não precisou manipular nada, apenas aguardar Teteu se afundar sozinho.

Quase um mês se passou, sem Emília ir ao presídio, ela estava trabalhando muito, 7 dias por semana, doze, às vezes até dezesseis horas. Não pretendia ir à visita e explicou por cartas, que estava mudando de casa, que por isso ficou sem dinheiro para pagar a condução e a hospedagem.

Teteu estava nervoso, recebendo ameaças de novo, e só não teve punições graves, porque Kecharq tinha segundas intenções. Teteu ligou para Emília, implorando para ela ir vê-lo, disse que poderia ser o último encontro dos dois, pois ele estava com os dias contados. Lamentou estar viciado, pediu perdão, disse que nunca mereceu uma mulher como ela.

A deixou muito preocupada, triste e a manipulou lindamente, ela não queria soltar a mão dele, ser “responsável” pela sua morte, e decidiu fazer o que deveria ser feito. Ela sabia que indo, teria que ficar com alguém, só não tinha certeza se era Kecharq ou outro.

Mesmo exausta, abatida, se arrumou como de costume, hidratou o cabelo, escovou e pranchou, fez as unhas, as sobrancelhas, levou a refeição bem elaborada, lasanha, frango assado, arroz de forno, feijão, vinagrete, bolo de cenoura com cobertura de chocolate.

Foi toda de vermelho, calça legging, camiseta mais comprida folgada, bem maquiada, escondendo as olheiras. Fez todo o procedimento padrão, quando entrou na parte das visitas, logo viu Teteu e Kecharq, sentados juntos, entrou séria com ódio da situação que estava se colocando.

Teteu foi até ela, a abraçou forte, ela não correspondeu, falou irritada, nervosa.

— Que m.erda você tá fazendo com a gente, Matheus? Eu tô cansada. Você é um filho da p uta, egoísta pra cac ete.

Ele respondeu como se realmente se sentisse culpado.

— Vida, calma. Você não tá ligada no infe rno que é aqui. Logo mais eu vou sair, o advogado tá correndo atrás de tudo. É só mais essa vez, e nunca mais vou te pedir nada assim. Pô vida, eu tô na pior. Preciso de você.

Ela enxugou os olhos marejados, respirou fundo e foi andando ao lado dele, nervosa, respondeu friamente.

— É a última vez. Se você não se controlar, vai morrer na cadeia. Nem lá fora, você usava essas porcarias. Eu tô me fud endo abéça, bancando seu jumbo, a casa, tudo. Não vou continuar sendo bucha, preste atenção, Matheus.

Estavam chegando perto da mesa, Kecharq estava tranquilo, observando as pessoas, a olhou sério, falou como falava com qualquer um.

— E aí.

Ela respondeu cabisbaixa, com as mãos trêmulas mexendo no cabelo.

— Oi.

Começou colocar a refeição na mesa, engolindo o choro, se sentindo humilhada, Kecharq se levantou e falou, reparando no zelo dela com a comida.

— Deixa tudo aí. Vamos lá.

Olhou para Teteu, falou com autoridade.

— A hora que eu voltar, vou comer. Você não vai tocar em nada. Nem uma colherada. Já é?

Teteu engoliu em seco, assentiu se sentindo humilhado e com raiva.

— Certo meu patrão. De boa. Vai lá.

Emília foi andando um pouco a frente, ao chegar perto da ala das visitas íntimas, parou e ficou esperando, engolindo o choro. Kecharq logo a alcançou, pegou pela mão e foi a guiando, sem falar nada, ele tinha mordomias, que os outros não tinham. Era nítido que era respeitado por todos.

Assim que entraram no quartinho, Emília se aproximou da cama, de costas para ele, foi tirando a camiseta, estava com um sutiã vermelho todo transparente, Kecharq se aproximou a abraçando por trás sutilmente, falou segurando as mãos dela, entrelaçando os dedos, a envolvendo em seus braços.

— Eu sabia, que voltaria, linda. Te esperei ansioso. Tudo bem?

Ela não correspondeu nada, ficou imóvel recebendo beijos no pescoço, respondeu ofegante, sentindo o calor do corpo dele, a envolvendo.

— Eu pareço bem pra você? É claro que não. Não vou voltar aqui pra pagar dívida de ninguém. Se você continuar, dando as coisas pra ele, com essa intenção. Pode esquecer.

Ele começou a rir, falou a segurando pela garganta enforcando de leve.

— Pode voltar pra me visitar. Da r pra mim. Toda vez que minha fiel não vier. Ela está grávida mesmo, até voltar d ar gostosinho, vai demorar.

Foi levando a mão livre até a ca. lcinha dela, enfiou os dedos sutilmente, abrindo os lábios ainda secos, sentindo a pele lisa, macia.

— Você não veio, só por ele, que eu sei.

Abraçado atrás dela, com uma mão na garganta, outra na int1midade, falou pertinho do ouvido.

— As palavras mentem, o quanto quiserem. Mas os olhos e o corpo não. Seu cheiro me deixa de p4u duro. Está sentindo?

Ele estava roçando a er3ção atrás dela, Emília respondeu tirando a mão dele, de sua garganta.

— Você tem mulher e se sujeita a isso, coitada dela.

Ele tirou a mão de dentro da c4lcinha dela, a virou de frente, respondeu enfiando a mão no meio do cabelo dela puxando forte.

— Coitada de você. Que tem um marido, que fica te oferecendo, em troca de pó. Hoje não vou deixar passar, tenho que te f0der. Muito.

A postura dela, estava diferente, menos retraída, mais forte, ela sustentou o olhar dele, o encarando fixamente, falou séria.

— Aé? Pelo um de nós, precisa g0zar. Não é mesmo?

Ele sorriu adorando a afronta, a guiou até a cama e a jogou deitada, falou tirando a própria roupa.

— Nós dois podemos. Juntos.

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