Mundo de ficçãoIniciar sessãoEmília permaneceu em silêncio por vários segundos, tentando organizar os próprios pensamentos. O coração ainda estava acelerado, mas a razão gritava para que ela não tomasse nenhuma decisão naquele momento.
Respirou fundo e respondeu baixo.
— Eu preciso pensar, Ariel. Me mudar é algo sério.
Ele ficou olhando para ela por alguns instantes e depois assentiu, com um sorrisinho convencido
— Belezaaa.
Passou a mão delicadamente pelo rosto dela.
— Então pensa, com muito carinho.
Deu um selinho sutil.
— Eu vou passar o dia aqui com você. À noite vou ver minha mãe, meus filhos e resolver meus b.o.s.
Ela o olhou surpresa, falou apreensiva.
— Você não precisa se preocupar, só tenho que ficar deitada.
Ele interrompeu, se levantando.
— Preciso sim.
— Agora você vai deitar. E eu vou resolver tudo.
Ela tentou levantar sozinha.
Ele se aproximou, antes que ela pudesse terminar de reclamar baixinho de dor, a pegou no colo com facilidade.
— Eeee deixa eu te ajudar.
— Você tá toda quebrada aí. Não seja teimosa comigo.
Ela segurou espontaneamente em seu pescoço, completamente sem graça. Ele deu beijinhos no pescoço dela, falou rindo com o pensamento voando longe.
— Você é cheirosa demais. Não sabe a saudade que eu tô do seu cheiro, sua pele.
Entrou no quarto e a colocou cuidadosamente na cama. Arrumou o travesseiro atrás das costas dela e puxou a coberta até sua cintura, falou a olhando mais sério, pensativo.
— Descansa, vou ao mercado. Você já tem os remédios, as paradas todas que precisa?
Ela o observava sem dizer nada, assentiu séria.
— Faltaram alguns só. — Disse apontando as receitas em cima da cômoda.
Ele pegou, começou ler, falou olhando os remédios que estavam ao lado.
— Já volto, fica de boa aí. Vou levar a chave, beleza?
Ela assentiu, falou querendo rir.
— Adoro quando você acha que manda. Não tenho condições de sair, pode ter certeza, que vou continuar aqui.
Ele disse que gostava de cuidar apenas, proteger. Saiu reparando na casa, olhou o armário e a geladeira, verificando o que poderia comprar.
Cerca de uma hora depois, Emília ouviu o portão abrir novamente.
Kecharq entrou carregando várias sacolas de mercado. Trazia carnes, frutas, legumes, produtos de limpeza, os remédios.
Na outra mão, segurava um enorme buquê de rosas vermelhas. Ele foi direto no quarto, Emília arregalou os olhos, falou surpresa.
— Ariel...
Ele caminhou até ela com um lindo sorriso malicioso, olhos brilhantes e entregou as flores.
— Pra você se animar, minha delícia.
Ela ficou completamente desconcertada, nunca tinha recebido flores daquela forma. Ficou emotiva, enquanto ela ainda admirava o buquê, ele foi colocar as compras sobre a mesa da cozinha, voltou com os remédios, falou colocando em cima da cama, ao lado dela.
— Passei num restaurante também.
Eu fico doido pra comer coisas diferentes, quando saio.
— Comprei nosso almoço.
Sorriu de canto, dando uma piscada.
— Agora você não vai fazer mais nada.
— Eu vou cuidar de você, mesmo quando estiver na tranca.
Emília apenas o observava. Ainda parecia estranho vê-lo tão à vontade dentro daquela casa simples, mexendo nas coisas dela, ele foi organizando os remédios, pegou um copo d'água.
Perguntou se ela estava com fome, Emília assentiu. Ele organizou tudo rapidamente, colocou a comida em pratos, serviu os dois e levou até o quarto.
Sentou ao lado dela na cama bem de boa, tirou os tênis, falou a observando, reparando que ela sentia dor, só pra se mexer.
— Bora comer. Quer ajuda? Com alguma coisa?
Ela sorriu discretamente, falou balançando a cabeça que não.
— Você é diferente, do que eu imaginava.
Ele perguntou porque, ela disse que ele parecia bem normal, fora da cadeia. Ele começou rir, porque era muito maluco e ela não devia ter a noção do quanto.
Os dois almoçaram conversando, pela primeira vez desde que se conheceram, falaram sobre assuntos comuns, ele contou da casa que queria deixar ela morar, um sobrado grande, com piscina, bastante espaço.
Falou que também tinha um apartamento, caso ela preferisse ficar num lugar mais reservado.
Emília ficou ouvindo em silêncio, mas logo falou que não queria depender dele, nem se amarrar tanto, contou que só teve Teteu a sua vida toda, e agora Kecharq.
Lamentou o que aconteceu com Teteu, desabafou dizendo que ele se perdeu muito, relembrou como ele era diferente. Kecharq contou toda sua história de vida, disse que não se orgulhava de muitas coisas, mas que a vida o levou para aqueles caminhos.
Quando ele começou falar, que largou a fiel e a namorada, Emília respirou fundo, falou apreensiva.
— Ariel... não quero parecer ingrata, mas eu não te pedi ou prometi nada, sabe?
— Eu realmente preciso de um tempo.
— Não quero decidir minha vida desse jeito. Até porque somos muito diferentes.
Ele sorriu com deboche. Falou deitando ao lado dela, a acariciando nas pernas.
— Tá bom, beleza. Eu tô sem mulher, tô te falando que quero você. E a delícia, precisa pensar.
Ela começou a ficar emotiva, se sentindo intimidada, ele falou mais sério.
— Eeee calma, eu tô ligado que você tá certa. E isso só faz eu te querer mais ainda.
— Eu espero, o tempo que for. Se tem uma coisa que ser preso, me ensinou, é ter paciência.







