Capítulo 14

Emília ficou o acariciando, continuaram conversando, ele passou o restante do feriado ao lado dela, a mimando como podia.

Insistiu muito para ela colocar na conta dos aplicativos de compras online, um cartão de crédito que era dele.

Assistiram televisão, ele ajudou a trocar os curativos, organizou a cozinha, fez um belo café da tarde.

Antes de sair, segurou as mãos dela, falou cheirando o pescoço, dando beijinhos.

— Eu tô fechado com você. Entendeu?

Ela apenas assentiu, sentindo cócegas, o abraçou gem.endo de dor no corpo, ele falou rindo que dá próxima vez que se encontrassem, ela ia gem.er no pa.u dele. A fez cair na risada, Emília apreensiva, ressaltou que estaria tudo bem, se ele mudasse de idéia sobre ela.

Ele garantiu que não iria mudar, foi ver a mãe dele e os filhos. Manteve o que havia decidido com as exs.

Depois que Kecharq voltou para o presídio, fez exatamente o que prometeu.

No dia seguinte, uma enfermeira começou a ir todos os dias até a casa de Emília. Ela fazia os curativos, acompanhava a recuperação e observava a cicatrização do corte em seu rosto. Também ajudava com a casa e lhe fazia companhia.

Depois de muita insistência dele, Emília aceitou passar com um cirurgião plástico.

O médico explicou que a cicatriz ficaria bem mais discreta com alguns procedimentos e ela resolveu fazer o tratamento. Também passou por uma dermatologista, começou a cuidar da pele, foi ao dentista, fez uma limpeza completa, clareamento.

Kecharq mandava levarem o dinheiro em espécie, a casa dela e a cada dois três dias, ligava. Para saber como ela estava e quanto ia gastar.

No salão, o cabeleireiro acertou o cabelo que havia sido destruído. Como ainda estava curto demais, fez um corte moderno e elegante, que valorizava seu rosto. Para a surpresa dela mesma, ficou ainda mais bonita, do que com cabelão.

A cada semana que passava, Emília voltava a se reconhecer diante do espelho.

A autoestima, que havia sido destruída junto com seus cabelos naquela madrugada, começava a voltar.

Ela passou mais de um mês praticamente dedicada à própria recuperação. Decidiu se deixar levar, afinal havia perdido muito.

Nesse período, Kecharq ligava sempre que conseguia, a única coisa que exigiu foi que ela não perdesse suas ligações, afinal os dois não tinham as mesmas vinte e quatro horas do dia.

Ela contava como tinha sido o dia, falava dos resultados dos procedimentos, reclamava dos remédios, das dores e até perguntava a opinião dele sobre o que ia fazer, com o dinheiro dele. Ele se mostrou um homem bastante atencioso, que entendia um pouco de tudo e realmente dava a opinião sincera.

Ele adorava participar de tudo, para ocupar a mente. Passava as horas e dias ansioso, para falar com ela.

Toda segunda-feira, um dos homens de confiança aparecia na casa dela deixando dinheiro para as despesas.

Kecharq começou a fazer questão de pagar as contas, abastecer a despensa e garantir que nada faltasse.

No começo, Emília recusava quase tudo. Depois, foi aceitando aos poucos. Não por interesse, mas porque realmente não tinha conseguido voltar ao trabalho e precisava se manter.

Em uma das ligações, Kecharq perguntou diretamente:

— E aí, delícia... já decidiu que não vai morar lá em casa?

Emília sorriu sozinha do outro lado da linha. Respondeu quase aceitando.

— Ainda não sei.

Fez uma pequena pausa.

— Acho que semana que vem já vou voltar a trabalhar. Apareceu uma oportunidade e também, nós nem sabemos se temos química.

— Pra morar junto.

Do outro lado, ele ficou em silêncio por alguns segundos, sem saber se era um jogo ou apenas verdade.

Quando voltou a falar, sua voz saiu firme.

— Tem química pra cara.lho sim, que você é do jeitinho que eu gosto. E seu corpo, não mente. Se aqui dentro, foi tão bom, especial.

— Pode ter certeza que fora, será melhor ainda.

— Você quer voltar a trabalhar pros outros?

— Mulher minha não trabalha pros outros, dona Emília.

Ela suspirou, já imaginando aquela conversa, começou rir.

— Ariel, eu não vou parar minha vida por sua causa.

— A gente nem é um casal. Ter química na cama, é uma coisa. Fora dela, é outra.

Ele riu sem humor.

— Pra mim já vi, e provei. O suficiente.

Ela balançou a cabeça negando, mesmo sabendo que ele não podia vê-la.

— Vai ver suas expectativas são baixas.

Kecharq mudou de assunto.

— Não são, pode acreditar.

— Então faz um favor. Pra me fortalecer, já que a gente tá fechadão.

— Vou te passar um endereço. Você vai lá conversar com meu advogado.

— Pra colocar seu nome no hall de visitas.

— Vem me ver de vez em quando.

A voz dele ficou mais leve.

— Tô morrendo de saudade de você.

Sério, tô na fissura pra te fo.der.

Emília respondeu com firmeza, de imediato.

— Eu não quero ir.

— E acho melhor você parar de mandar tanta coisa pra mim.

— Porque a gente não é um casal.

— Não ainda. E você disse, que não ia pedir isso.

Ele ficou frustrado. Depois perguntou sério:

— Tem outro cara na sua vida?

— Tá me fazendo de otário?

Emília caiu na risada. Respondeu achando graça.

— Nunca faria isso. Tá doido?

— Mas você sabe muito bem que homem bonito preso nunca fica sem visita.

Continuou brincando.

— Com certeza deve ter um monte de mulher indo te visitar.

— E eu nunca nem vou saber.

— Namorar ban.dido bonito é assinar atestado de chifruda.

Kecharq começou a rir muito. Falou adorando a ousadia dela.

— Primeiro... Você é minha namorada?

Ela ficou completamente sem graça. Respondeu constrangida.

— Foi modo de falar. Não sou tua fiel, tô ligada.

Ele continuou rindo.

— Segundo...

— Não tô recebendo visita íntima de ninguém.

Sua voz ficou séria.

— Eu só quero você.

Emília ficou alguns segundos em silêncio antes de responder.

— Eu também não tenho intenção de ficar com ninguém.

Respirou fundo pensativa.

— Até porque...

Sorriu envergonhada, confessando.

— Você fica nos meus pensamentos o dia inteiro.

Kecharq sorriu contente, aquilo mexeu profundamente com ele, disse que ela era a fiel dele sim, querendo ou não. Tiveram que desligar e ela ficou pensativa, querendo ir vê-lo.

Os dias dele estavam contados, no presídio, mesmo assim, resolveu fazer um último teste.

Algumas semanas depois, ligou novamente, como de costume mas a voz saiu séria.

— Emília. Tô com um problema. Tudo bem aí?

Ela ficou nervosa, falou preocupada.

— Tudo sim e você?

— O que aconteceu?

Ele continuou falando sério.

— Você vai precisar fazer um corre pra mim.

Ela permaneceu em silêncio, ouvindo. Ele começou a dar instruções detalhadas.

Disse que ela levaria um dinheiro para a mulher de um carcereiro e, depois da entrega, faria uma ameaça para assustar a família dela.

Emília ouviu tudo sem interromper.

Quando ele terminou, ela começou a chorar, falou nervosa.

— Me desculpa... Mas eu não vou fazer isso.

Respirou fundo, tentando conter o choro.

— Você prometeu que nunca ia me usar de bucha.

— Prometeu que eu nunca ia precisar resolver problema seu.

Do outro lado, Ariel permaneceu calado. Esperou alguns instantes depois voltou a falar.

— Beleza. Então esquece.

Fez outra tentativa.

— Mas preciso que você dê um recado pra minha ex.

— Ela tá causando. Me tirando de otário.

Emília enxugou as lágrimas, falou interrompendo.

— Também não posso. Você sabe o que fizeram comigo e eu não sou esse tipo de mulher.

Ele esperou, ela continuou falando.

— Conversa com ela. Dá um tempo.

— Ela deve estar magoada. Se sentindo traída.

— Não resolve isso humilhando ninguém.

Respirou fundo.

— Eu jamais iria levar recado pra machucar outra mulher.

— Não é nem por medo. É por respeito.

Olhou para a própria cicatriz no espelho. Continuou falando séria.

— Respeito que ninguém teve comigo. B.o seu, com ex, é algo que eu nunca vou me envolver.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
capítulo anteriorpróximo capítulo
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App