Mundo de ficçãoIniciar sessãoEmília ficou o acariciando, continuaram conversando, ele passou o restante do feriado ao lado dela, a mimando como podia.
Insistiu muito para ela colocar na conta dos aplicativos de compras online, um cartão de crédito que era dele.
Assistiram televisão, ele ajudou a trocar os curativos, organizou a cozinha, fez um belo café da tarde.
Antes de sair, segurou as mãos dela, falou cheirando o pescoço, dando beijinhos.
— Eu tô fechado com você. Entendeu?
Ela apenas assentiu, sentindo cócegas, o abraçou gem.endo de dor no corpo, ele falou rindo que dá próxima vez que se encontrassem, ela ia gem.er no pa.u dele. A fez cair na risada, Emília apreensiva, ressaltou que estaria tudo bem, se ele mudasse de idéia sobre ela.
Ele garantiu que não iria mudar, foi ver a mãe dele e os filhos. Manteve o que havia decidido com as exs.
Depois que Kecharq voltou para o presídio, fez exatamente o que prometeu.
No dia seguinte, uma enfermeira começou a ir todos os dias até a casa de Emília. Ela fazia os curativos, acompanhava a recuperação e observava a cicatrização do corte em seu rosto. Também ajudava com a casa e lhe fazia companhia.
Depois de muita insistência dele, Emília aceitou passar com um cirurgião plástico.
O médico explicou que a cicatriz ficaria bem mais discreta com alguns procedimentos e ela resolveu fazer o tratamento. Também passou por uma dermatologista, começou a cuidar da pele, foi ao dentista, fez uma limpeza completa, clareamento.
Kecharq mandava levarem o dinheiro em espécie, a casa dela e a cada dois três dias, ligava. Para saber como ela estava e quanto ia gastar.
No salão, o cabeleireiro acertou o cabelo que havia sido destruído. Como ainda estava curto demais, fez um corte moderno e elegante, que valorizava seu rosto. Para a surpresa dela mesma, ficou ainda mais bonita, do que com cabelão.
A cada semana que passava, Emília voltava a se reconhecer diante do espelho.
A autoestima, que havia sido destruída junto com seus cabelos naquela madrugada, começava a voltar.
Ela passou mais de um mês praticamente dedicada à própria recuperação. Decidiu se deixar levar, afinal havia perdido muito.
Nesse período, Kecharq ligava sempre que conseguia, a única coisa que exigiu foi que ela não perdesse suas ligações, afinal os dois não tinham as mesmas vinte e quatro horas do dia.
Ela contava como tinha sido o dia, falava dos resultados dos procedimentos, reclamava dos remédios, das dores e até perguntava a opinião dele sobre o que ia fazer, com o dinheiro dele. Ele se mostrou um homem bastante atencioso, que entendia um pouco de tudo e realmente dava a opinião sincera.
Ele adorava participar de tudo, para ocupar a mente. Passava as horas e dias ansioso, para falar com ela.
Toda segunda-feira, um dos homens de confiança aparecia na casa dela deixando dinheiro para as despesas.
Kecharq começou a fazer questão de pagar as contas, abastecer a despensa e garantir que nada faltasse.
No começo, Emília recusava quase tudo. Depois, foi aceitando aos poucos. Não por interesse, mas porque realmente não tinha conseguido voltar ao trabalho e precisava se manter.
Em uma das ligações, Kecharq perguntou diretamente:
— E aí, delícia... já decidiu que não vai morar lá em casa?
Emília sorriu sozinha do outro lado da linha. Respondeu quase aceitando.
— Ainda não sei.
Fez uma pequena pausa.
— Acho que semana que vem já vou voltar a trabalhar. Apareceu uma oportunidade e também, nós nem sabemos se temos química.
— Pra morar junto.
Do outro lado, ele ficou em silêncio por alguns segundos, sem saber se era um jogo ou apenas verdade.
Quando voltou a falar, sua voz saiu firme.
— Tem química pra cara.lho sim, que você é do jeitinho que eu gosto. E seu corpo, não mente. Se aqui dentro, foi tão bom, especial.
— Pode ter certeza que fora, será melhor ainda.
— Você quer voltar a trabalhar pros outros?
— Mulher minha não trabalha pros outros, dona Emília.
Ela suspirou, já imaginando aquela conversa, começou rir.
— Ariel, eu não vou parar minha vida por sua causa.
— A gente nem é um casal. Ter química na cama, é uma coisa. Fora dela, é outra.
Ele riu sem humor.
— Pra mim já vi, e provei. O suficiente.
Ela balançou a cabeça negando, mesmo sabendo que ele não podia vê-la.
— Vai ver suas expectativas são baixas.
Kecharq mudou de assunto.
— Não são, pode acreditar.
— Então faz um favor. Pra me fortalecer, já que a gente tá fechadão.
— Vou te passar um endereço. Você vai lá conversar com meu advogado.
— Pra colocar seu nome no hall de visitas.
— Vem me ver de vez em quando.
A voz dele ficou mais leve.
— Tô morrendo de saudade de você.
Sério, tô na fissura pra te fo.der.
Emília respondeu com firmeza, de imediato.
— Eu não quero ir.
— E acho melhor você parar de mandar tanta coisa pra mim.
— Porque a gente não é um casal.
— Não ainda. E você disse, que não ia pedir isso.
Ele ficou frustrado. Depois perguntou sério:
— Tem outro cara na sua vida?
— Tá me fazendo de otário?
Emília caiu na risada. Respondeu achando graça.
— Nunca faria isso. Tá doido?
— Mas você sabe muito bem que homem bonito preso nunca fica sem visita.
Continuou brincando.
— Com certeza deve ter um monte de mulher indo te visitar.
— E eu nunca nem vou saber.
— Namorar ban.dido bonito é assinar atestado de chifruda.
Kecharq começou a rir muito. Falou adorando a ousadia dela.
— Primeiro... Você é minha namorada?
Ela ficou completamente sem graça. Respondeu constrangida.
— Foi modo de falar. Não sou tua fiel, tô ligada.
Ele continuou rindo.
— Segundo...
— Não tô recebendo visita íntima de ninguém.
Sua voz ficou séria.
— Eu só quero você.
Emília ficou alguns segundos em silêncio antes de responder.
— Eu também não tenho intenção de ficar com ninguém.
Respirou fundo pensativa.
— Até porque...
Sorriu envergonhada, confessando.
— Você fica nos meus pensamentos o dia inteiro.
Kecharq sorriu contente, aquilo mexeu profundamente com ele, disse que ela era a fiel dele sim, querendo ou não. Tiveram que desligar e ela ficou pensativa, querendo ir vê-lo.
Os dias dele estavam contados, no presídio, mesmo assim, resolveu fazer um último teste.
Algumas semanas depois, ligou novamente, como de costume mas a voz saiu séria.
— Emília. Tô com um problema. Tudo bem aí?
Ela ficou nervosa, falou preocupada.
— Tudo sim e você?
— O que aconteceu?
Ele continuou falando sério.
— Você vai precisar fazer um corre pra mim.
Ela permaneceu em silêncio, ouvindo. Ele começou a dar instruções detalhadas.
Disse que ela levaria um dinheiro para a mulher de um carcereiro e, depois da entrega, faria uma ameaça para assustar a família dela.
Emília ouviu tudo sem interromper.
Quando ele terminou, ela começou a chorar, falou nervosa.
— Me desculpa... Mas eu não vou fazer isso.
Respirou fundo, tentando conter o choro.
— Você prometeu que nunca ia me usar de bucha.
— Prometeu que eu nunca ia precisar resolver problema seu.
Do outro lado, Ariel permaneceu calado. Esperou alguns instantes depois voltou a falar.
— Beleza. Então esquece.
Fez outra tentativa.
— Mas preciso que você dê um recado pra minha ex.
— Ela tá causando. Me tirando de otário.
Emília enxugou as lágrimas, falou interrompendo.
— Também não posso. Você sabe o que fizeram comigo e eu não sou esse tipo de mulher.
Ele esperou, ela continuou falando.
— Conversa com ela. Dá um tempo.
— Ela deve estar magoada. Se sentindo traída.
— Não resolve isso humilhando ninguém.
Respirou fundo.
— Eu jamais iria levar recado pra machucar outra mulher.
— Não é nem por medo. É por respeito.
Olhou para a própria cicatriz no espelho. Continuou falando séria.
— Respeito que ninguém teve comigo. B.o seu, com ex, é algo que eu nunca vou me envolver.







