Capítulo 164
Manuela Strondda
O silêncio que veio depois da frase de Hugo foi tão pesado quanto o som dos tiros naquela noite.
O Don sustentou o olhar dele por alguns segundos longos demais para serem confortáveis. Não havia pressa ali. Ele estava medindo tudo e decidindo internamente. Então assentiu, uma única vez, seco, e fez um gesto discreto com a cabeça.
— Levem o consigliere.
Dois soldados se moveram na mesma hora. O homem começou a gritar, a voz estridente, desesperada.
— Vocês estão cometendo um erro! — berrou, sendo puxado pelos braços. — Corvo, sua vadia vai te levar pra cova! Ela tá armando tudo! Eu sou inocente!
Não olhei para ele. Não precisava. Mas de relance vi Hugo se afastar e o segui com os olhos.
— Nunca mais fale da minha mulher! — Ele meteu um soco na cara do Consigliere. O Don deu de ombros enquanto levavam.
Meu corpo ainda estava quente de adrenalina, mas minha mente já tinha passado daquela fase. O perigo imediato tinha sido neutralizado. A