Capítulo 163
Manuela Strondda
Meti o pé numa pancada, sentei na janela e puxei a faca.
Era ele.
O mesmo soldado da entrada. O mesmo detalhe errado. Uniforme idêntico ao dos homens de Hugo — postura, corte, arma no lugar certo —, mas a gravata preta denunciava tudo. Um erro pequeno demais para ser acaso. Grande demais para ser ignorado.
— Eu sabia… — sibilei, mais para mim do que para ele.
O homem arregalou os olhos no exato segundo em que percebeu que eu não era uma convidada perdida. O peso do corpo dele avançou na minha direção, mão indo para a arma.
— Vadia! — gritou.
Não dei tempo.
Girei o tronco, puxei a faca com o braço firme e enterrei na barriga dele num golpe curto, direto, do jeito que se faz quando não se quer conversa. O ar saiu dos pulmões dele num som feio, engasgado. Aproveitei o impacto do corpo dobrando para frente, agarrei a alça de ouro da minha bolsa e a arranquei com força, usando o próprio desequilíbrio dele contra si.
As mãos dele