Se eu tivesse aprendido alguma coisa com aquela noite, era que o medo não chega gritando. Ele entra em silêncio, se senta em algum canto da mente e passa a observar tudo com calma demais.
O envelope ficou sobre a mesa da sala por tempo suficiente para se tornar um terceiro morador indesejado.
John não disse mais nada depois da frase pesada que lançou no ar. Apenas passou a mão pelo rosto, como fazia quando estava tentando organizar o caos interno, e foi até a cozinha pegar um copo d’água. Eu fiquei parada ali, encarando aquelas palavras escritas à mão, tentando entender por que algo tão simples tinha conseguido me gelar por dentro. Como uma frase podia surtir tanto efeito com aquela bela ameaça bem desenhada.
— Talvez seja só uma brincadeira de mau gosto — arrisquei, quebrando o silêncio que não conseguia mais suportar.
John virou-se lentamente.
— Ninguém brinca assim comigo.
O tom não era de arrogância. Era de certeza. Daquele tipo que vem de experiências acumuladas, de quem já