• POV JOHN •
Há momentos em que o mundo deixa de ser barulho e vira cálculo.
Depois do grito de Amanda, depois da coberta branca esmagada contra o peito dela como se fosse a última âncora com a sanidade, algo dentro de mim se reorganizou. Não foi calma. Não foi aceitação. Foi foco.
O tipo de foco que só vem quando tudo o que importa foi arrancado de você.
Kat levou Amanda para o quarto. Ouvi a porta se fechar, ouvi o choro abafado, ouvi meu próprio nome sendo sussurrado como uma oração quebrada. Não fui atrás. Não porque eu não quisesse, mas porque, se eu entrasse naquele quarto sem respostas, eu quebraria junto com ela.
E alguém precisava permanecer inteiro.
Voltei para a sala. A caixa ainda estava ali, aberta, obscena em sua simplicidade. A coberta dobrada com cuidado demais. O envelope vazio, agora apenas papel inútil depois de cumprir sua função cruel.
Aproximei-me da mesa como quem se aproxima de uma cena de crime.
Porque era exatamente isso.
Passei os dedos pela borda interna da