• POV JOHN •
Existe um tipo de silêncio que não é ausência de som — é ausência de ar.
O apartamento estava assim quando entramos. Amanda não chorava alto. Não gritava. Não quebrava nada. Ela apenas… existia em pedaços. Sentada no sofá, com o corpo curvado para frente, os braços vazios apertados contra o próprio peito, como se ainda pudesse sentir o peso da nossa filha ali.
E eu nunca me senti tão impotente em toda a minha vida.
Carreguei Amanda do hospital até o carro como se fosse vidro rachado. Ela tremia. Não de frio. Mas de perda. O choro vinha em ondas silenciosas, soluços que pareciam presos na garganta, como se o corpo dela estivesse tentando sobreviver apesar da alma já ter sido arrancada.
Agora, em casa, Kat estava ali. Eu nem lembrava de ter ligado para ela. Talvez Amanda tenha feito isso em algum momento entre o colapso e o torpor. Kat ajoelhou-se diante dela, segurando seu rosto com as duas mãos, falando coisas que eu não conseguia ouvir direito.
— Ela vai voltar — dizia.