O vestido era bonito demais para mim.
Essa foi a primeira coisa que pensei ao me olhar no espelho. Não porque eu não estivesse bonita — eu estava —, mas porque aquele tipo de beleza vinha com expectativas. Postura. Silêncio adequado. Sorrisos contidos.
E eu nunca fui boa em caber nessas expectativas.
— Você está linda — John disse atrás de mim.
Virei devagar.
Ele estava de terno escuro, impecável como sempre, mas com a gravata frouxa demais para um evento daquele nível. Um detalhe pequeno. Quase invisível. Mas era John dizendo, à maneira dele, que ainda era humano.
— Parece que estou indo para um jantar de lobos elegantes — murmurei.
— É só um baile beneficente.
— Você acabou de descrever um jantar de lobos. Ou devo comparar com nadar com tubarões com a perna machucada?
Ele riu, aproximando-se. Colocou as mãos na minha cintura, com cuidado excessivo.
Ainda aprendendo.
— Se ficar demais, vamos embora. Eu prometo.
— Você sempre diz isso.
— E sempre cumpro.
Assenti. Não po