CAPÍTULO 22

Algumas cicatrizes não aparecem no corpo.

Elas se instalam em lugares silenciosos, onde ninguém toca sem pedir permissão. E mesmo quando a dor diminui, elas continuam ali, lembrando que o amor também pode sangrar.

Clara dormia em meu colo, envolta na mesma coberta branca que quase se tornou um símbolo de luto. Agora, porém, ela significava outra coisa: sobrevivência. Vitória. Vida.

O apartamento estava diferente.

Não nos móveis, não na vista, não no luxo que antes me intimidava. Estava diferente porque nós estávamos diferentes. John não era mais o homem inquieto que rondava o espaço como se precisasse proteger tudo o tempo inteiro. Ele estava ali, presente de um jeito silencioso, atento aos detalhes pequenos — o choro que antecedia a fome, a forma como eu respirava mais fundo quando a ansiedade ameaçava voltar, o modo como Clara se acalmava ao ouvir sua voz.

E eu… eu não era mais apenas a mulher que entrou naquele mundo por acaso.

Eu tinha atravessado o inferno e voltado com algo infi
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