O hospital tinha um cheiro específico. Não era apenas de álcool ou limpeza excessiva — era um cheiro de começo. De fim também, talvez. De coisas que jamais voltariam a ser como antes.
Eu não lembrava exatamente de como cheguei até ali.
Lembrava das mãos de John segurando as minhas com força. Da voz dele firme demais para ser casual, suave demais para ser falsa. Lembrava da dor crescendo em ondas, cada uma mais intensa, mais definitiva. Lembrava de pensar, em algum ponto entre uma contração e outra, que nunca mais seria só eu.
E então… ela chegou.
O choro cortou o ar como um rasgo no tempo.
Não foi bonito. Não foi delicado. Foi visceral.
E foi o som mais perfeito que eu já ouvi.
— Ela está aqui — alguém disse, mas a frase parecia distante, como se viesse debaixo d’água.
John estava ao meu lado. Eu sabia porque sentia. Mesmo sem olhar, sentia a presença dele como uma âncora. Quando finalmente consegui abrir os olhos direito, ele estava ali, com o rosto completamente desarmado.
John Cart