Acordei com a sensação de que o tempo tinha se dobrado. O quarto estava mergulhado em uma luz alaranjada e densa, aquele tom de fogo que o sol assume segundos antes de se esconder no mar. Abri os olhos devagar, sentindo a maciez dos lençóis de linho, mas, quando estendi as mãos para os lados, encontrei apenas o vazio.
O lugar onde Heitor estivera estava frio, e o lado de Julian mantinha apenas o rastro do peso do seu corpo. Por um segundo, meu coração disparou. O medo antigo, a insegurança de quem sempre foi a 'empregada', gritou lá no fundo: Será que foi um sonho? Será que eles foram embora e me deixaram nesta casa vazia?
Sentei-me na cama, com o cabelo desgrenhado e o corpo ainda pesado pelo sono profundo. O silêncio da villa era absoluto, interrompido apenas pelo grito distante de uma gaivota. Levantei-me, envolta em um robe de seda branca, e caminhei descalça pelo assoalho de madeira que rangia suavemente.
— Heitor? Julian? — minha voz saiu rouca, quase um sussurro.
Não houve resp