Heitor me colocou no chão da cozinha com o cuidado de quem carrega um tesouro, enquanto Julian já abria a despensa, os olhos brilhando com uma travessura que eu amava.
— A regra é clara — anunciou Julian, jogando um pano de prato sobre o ombro. — Na mansão Guimarães, a Helena servia. Nesta villa, a Senhora Guimarães é servida. Heitor, pegue o vinho. Eu cuido da massa.
Foi uma das cenas mais surreais e lindas da minha vida. Eu, sentada no balcão de mármore, balançando as pernas e tomando um vinho que custava mais do que meu antigo salário anual, enquanto via os dois herdeiros de nomes poderosos se atrapalhando com panelas e temperos apenas para me agradar.
Heitor, sempre tão polido e impecável, estava com as mangas da camisa de linho dobradas, picando tomates com uma seriedade como se estivesse assinando um contrato multimilionário. Julian, por outro lado, dançava pela cozinha ao som de uma rádio local, jogando manjericão no ar e me fazendo rir a cada cinco minutos.
— Está pronto — dis