Ponto de vista do narrador
A mansão estava imersa em um silêncio tenso naquela noite. Carlos Eduardo caminhava pelo corredor com passos decididos, o coração batendo forte no peito, o notebook com o vídeo em mãos. Natália o acompanhava ao lado, a barriga proeminente sob o vestido leve, a mão dela na dele para dar apoio — ela já sabia tudo, parte contada por Cadu semanas atrás, parte confessada pelo próprio Carlos Alberto em uma noite de lágrimas e revelações.
Ele parou na porta do escritório do pai, bateu uma vez — firme — e entrou.
Carlos Alberto estava à mesa, o laptop aberto, uma taça de uísque pela metade ao lado. Ergueu o olhar, a expressão controlada, mas os olhos estreitaram-se ao ver o rosto do filho — pálido, determinado, ferido — e Natália ao lado, o olhar firme.
— Cadu. Natália — disse ele, a voz grave. — Sentem-se.
Carlos Eduardo não sentou, se manteve de pé, Natália ao lado dele.
— Eu tenho algo para lhe mostrar — disse Cadu, direto, a voz baixa, mas carregada. — Algo que