Ponto de vista do narrador
A tarde de sábado na mansão era tranquila, o sol filtrando pelas janelas da biblioteca, onde Cadu e Natália passavam horas estudando — cada qual em seu curso, mas se apoiando, trocando olhares e fazendo companhia um ao outro. Rebeca brincava no jardim com a babá que já tinha voltado de licença maternidade, e Carlos Alberto estava em uma reunião remota no escritório.
Natália, sentada ao lado de Cadu na poltrona grande, observava a tela do laptop e então perguntou calmamente:
— Amor, quando vai me mostrar os vídeos que tem na pasta "Olga"?
Cadu hesitou, o rosto endurecendo por um segundo.
— Amor… isso é passado. Coisas da minha mãe. Vídeos antigos. Nada que valha a pena ver.
Natália inclinou a cabeça, o olhar mais atento.
— Passado não desejável? — repetiu ela, tocando o braço dele. — Cadu, me conta. Eu quero conhecer tudo de você. Inclusive ela, afinal era sua mãe!
Ele respirou fundo, o rosto marcado por uma dor antiga.
— Você não gostaria de ver — d