Ponto de vista do narrador
O quarto do hospital estava silencioso, iluminado apenas pela luz suave que entrava pela janela. Natália dormia profundamente, o rosto finalmente relaxado após dias de tensão. A mão repousava sobre a barriga arredondada, como se protegesse instintivamente os dois pequenos corações que cresciam dentro dela.
Carlos Eduardo observava aquela cena com o peito apertado. Tudo o que estavam prestes a fazer — mentiras calculadas, armadilhas silenciosas, jogos de poder — não passaria nem perto daquele quarto. Natália já tinha carregado peso demais.
Carlos Alberto estava ao lado da cama, em silêncio. Não havia pressa, nem controle naquele ambiente. Apenas cuidado.
— Ela sabe de tudo — murmurou Carlos Eduardo, quebrando o silêncio. — E mesmo assim decidiu ficar.
Carlos Alberto assentiu lentamente.
— Isso a torna mais forte do que qualquer um de nós — respondeu. — Justamente por isso, ela não entra nessa guerra.
Carlos Eduardo concordou sem discutir. Aquilo já estava de