Ponto de vista do narrador
O convite veio numa manhã tranquila, dessas em que o tempo parecia avançar mais devagar.
Natália estava sentada no sofá da mansão, uma das mãos repousando naturalmente sobre o ventre já arredondado de seis meses de gestação. A outra acompanhava quase que instintivamente os movimentos internos — agora mais frequentes, mais fortes. Os bebês se mexiam como se disputassem espaço e atenção, pequenas lembranças silenciosas de que nada mais seria como antes.
Carlos Eduardo foi o primeiro a se sentar ao lado dela. O cuidado nos gestos já era automático. Ajoelhou-se diante da barriga antes mesmo de falar com Natália, como fazia todas as manhãs.
— Bom dia, meus dois filhinhos lindos — murmurou, sorrindo. — Comportados hoje?
Natália riu baixo, passando a mão pelos cabelos dele.
Do outro lado da sala, Carlos Alberto observava a cena em silêncio. Rebeca brincava no tapete com bonecas espalhadas, enquanto os trigêmeos — Alex, Diego e Rafael — disputavam quem conseguia fa