Ponto de vista do narrador
Daniel Raven estava no quarto 412 do Hotel Central — um lugar simples, com paredes bege desbotadas, uma cama que rangia e uma vista para o estacionamento vazio. Ele passara os últimos cinco meses mergulhado em anotações, relatórios antigos e conversas sussurradas com fontes anônimas.
O acidente que matara Olga e o irmão de Carlos Alberto não era acidente. Era sabotagem. E Beatriz — a jovem Beatriz, eliminada por Carlos Alberto, pulou do terraço de um prédio importante, supostamente: suicídio — fora a chave que abrira a porta para aquela verdade sombria.
Mas Beatriz se fora. E com ela, parte das provas que ele precisava. Daniel sentia o cerco se fechando — telefonemas estranhos à noite, carros que pareciam segui-lo, o peso de saber que Carlos Alberto sabia e que por algum motivo não agia, pelo menos não diretamente.
O telefone tocou — número desconhecido. Ele atendeu, a voz baixa, cautelosa.
— Raven.
Do outro lado, uma voz feminina, suave, mas fir