Ponto de vista do narrador
A noite na mansão se estendia com os convidados ainda circulando entre risos falsos e olhares vigilantes. O patriarca Nóbrega Linhares, agora mais atento do que nunca, sentia o ar carregado de algo intangível — uma suspeita que coçava como uma ferida antiga.
Ele havia notado os olhares trocados entre seu filho e neto, a presença discreta de Letícia e Daniel, figuras que não se encaixavam perfeitamente no seu círculo de aliados leais. Mas o velho era paciente; ele investigaria ao amanhecer, ligaria para seus contatos na mídia para abafar qualquer ruído, e reforçaria suas defesas financeiras. Por enquanto, a festa continuava, um teatro de poder que ele ainda acreditava controlar.
Enquanto isso, longe dali, em um escritório escuro na sede da Polícia Federal, o agente e informante de Carlos Alberto revisava o dossiê que havia chegado às suas mãos horas antes. Não era o mesmo material enviado à imprensa — aquele era sutil, uma isca. Este era o golpe de misericórd