Ponto de vista do narrador
A mansão estava silenciosa naquela manhã, o sol entrava levemente pelas janelas altas e iluminando o escritório de Carlos Alberto com uma luz dourada e fria. Ele estava sentado à mesa, revisando relatórios, quando o interfone tocou.
— Senhor, a senhorita Letícia está aqui — anunciou a governanta.
Carlos Alberto ergueu uma sobrancelha, mas não hesitou.
— Mande entrar.
Letícia apareceu minutos depois, vestida com elegância profissional — saia lápis cinza, blusa de seda branca, cabelos presos em um coque impecável. Mas os olhos dela carregavam uma determinação feroz, misturada com a submissão que ele conhecia tão bem.
Ela fechou a porta atrás de si, trancou-a e caminhou até a mesa, parando a poucos passos dele.
— Senhor — disse ela, a voz baixa, mas firme. — Eu precisava vir pessoalmente.
Carlos Alberto recostou na poltrona, observando-a com calma.
— Fale.
Letícia respirou fundo, os olhos baixos por um segundo antes de erguê-los para ele — c