Ponto de vista do narrador
Era uma tarde de sábado comum na casa dos Rodrigues Silva — o sol se infiltrava pelas cortinas simples, o cheiro de café fresco no ar, Helena na cozinha preparando o almoço enquanto Henrique lia o jornal na poltrona, a perna ainda apoiada no pufe por causa dos pinos e placas.
O toque da campainha surpreendeu os dois.
Não esperavam visitas.
Natália estava na mansão, como sempre aos fins de semana, e os trigêmeos brincavam no quintal.
Helena enxugou as mãos no avental e abriu a porta.
Lá estava ele: um homem alto, negro, impecavelmente vestido em terno cinza-escuro sob medida, óculos de sol na mão, o carro de luxo preto estacionado na rua estreita como se não pertencesse àquele bairro.
— Boa tarde — disse ele, a voz grave, educada, mas com uma autoridade natural que fez Helena hesitar por um segundo.
— Boa… boa tarde — respondeu ela, confusa. — Posso ajudar?
Henrique se aproximou mancando, curioso.
Carlos Alberto sorriu — aquele sorriso controlado, charmoso, q