Ponto de vista do narrador
A suíte particular no último andar do Hospital Albert Einstein era mais parecida com um apartamento de luxo do que com um quarto de internação. Paredes claras, janelas amplas com vista para o verde do Morumbi, uma sala de estar anexa e um quarto principal com monitoramento discreto — tudo arranjado em menos de uma hora por uma ligação de Carlos Alberto.
Natália estava deitada na cama ajustável, soro no braço, monitor cardíaco fetal preso à barriga emitindo o som constante e tranquilizador de dois corações batendo forte. O sangramento havia parado completamente após a medicação intravenosa, e a doutora Mariana passara duas vezes para confirmar: descolamento placentário mínimo, colo do útero fechado, bebês ativos e saudáveis.
Repouso absoluto por pelo menos uma semana. Nada de esforços, nada de viagens longas, nada de estresse.
Natália olhava para o teto, os olhos vermelhos do choro de horas antes, mas agora mais calmos. Carlos Eduardo estava sentado ao l